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Lendo: Felizmente continua a haver luar (Março/Maio 2021)

Felizmente continua a haver luar (Março/Maio 2021)

Felizmente continua a haver luar (Março/Maio 2021)


Quando o sonho americano se transforma em pesadelo

Numa entrevista recente a uma revista francesa, diz o escritor irlandês-americano Colum McCann: «Ninguém sabe o que poderá vir a passar-se nos próximos anos nos Estados-Unidos da América. É exactamente isso que cria e alimenta o medo. Nenhum de nós sabe como será o futuro próximo. Ninguém tem a mínima ideia. E isso é verdadeiramente uma situação nova. Até agora as coisas eram claras: mudava-se de presidente e de administração, e o novo presidente aplicava o seu programa eleitoral, (…). Agora, temos de ter em consideração as decisões tomadas por Trump durante os últimos quatro anos, mas sobretudo este clima de incerteza, inédito, que reina no país. (…) Temos de ser lúcidos: vivemos actualmente em dois países diferentes (…) estes dois países já não se compreendem. Já nem sequer comunicam entre si. (…). Alguns intelectuais, nos quais tenho confiança, estão convencidos de que a próxima década verá o fim deste país, os Estados-Unidos da América, tal como o conhecemos. (…) é uma hipótese séria que não podemos totalmente pôr de lado tendo em conta o clima que reina actualmente» 1. A inquietação do escritor traduz bem o sentimento partilhado por sectores importantes da sociedade americana. Depois da queda do bloco capitalista de Estado, a crise americana, que está ainda em desenvolvimento e que se agrava com as consequências económicas e sociais da pandemia, constitui provavelmente o acontecimento maior do princípio do novo século, com consequências planetárias evidentes. McCann sublinha que o consenso de crença na «democracia americana», que era o cimento interclassista da sociedade, se desmoronou, deixou de existir. A nova administração tudo fará para tentar restabelecer este «interesse geral» interclassista, mas os fundamentos da «democracia americana», a ideia segundo a qual a vitalidade do capitalismo americano cria condições para uma prosperidade partilhada por todos, já não existem. Sobre as ruínas da vitalidade do capitalismo americano, emergem agora os interesses díspares, opostos, antagónicos, de sectores e de classes sociais diversas atravessadas por questões raciais que se misturam às questões de classe e que estavam contidas por essa ideia da «democracia americana». A ideia do «cada um por si», da defesa egoísta do pouco que se tem contra os que nada têm, substitui, pouco a pouco, a ideia do consenso geral interclassista indispensável a um funcionamento minimamente conflituoso do capitalismo. Tudo isto tendo como pano de fundo uma crescente desigualdade de riqueza na sociedade que, há anos atrás, o movimento Occupy denunciou com radicalidade.

Sem entrar de forma mais aprofundada na análise destas questões, pensamos que seria uma boa introdução dar a palavra a alguns camaradas americanos que viveram em directo e de perto os recentes acontecimentos e que reflectem sobre as suas consequências. Mais uma conversa não acabada…

Comecemos pelo 6 de Janeiro de 2021. Como chegámos a este acontecimento?

B.- Esta chamada «insurreição»… Privilégio branco, supremacia branca, poder branco. E a polícia do Capitólio deixou-os entrar. Estes clamores de fraude eleitoral e a tentativa de inverter o resultado de uma eleição, pondo em causa a legitimidade dos votos – o que não se sublinhou o suficiente é que estes votos são votos dos NEGROS. Foi exactamente isto que aconteceu após a Reconstrução a seguir à Guerra da Secessão. A democracia é atacada quando isso significa que os negros votaram. «Fraude eleitoral» significa: Não queremos que os negros votem.»

A.- Vendo as coisas em retrospectiva, os acontecimentos de 6 de Janeiro parecem quase inevitáveis. Trump andava há meses a espicaçar a turba supremacista branca (veja-se, por exemplo, o ataque ao parlamento do estado do Wisconsin) e, antes da eleição, já afirmava que se preparavam para lha roubar. Continuou sempre a reivindicar para si uma vitória esmagadora. Tentou reverter a derrota através dos tribunais, das assembleias estaduais e do congresso. Organizou o motim ao dizer aos seus apoiantes para irem a Washington no dia 6 de Janeiro, que ia haver «festa».
 
Os republicanos sempre souberam que Trump era um psicopata, mas era o seu psicopata e consideravam, com razão, que podiam tirar proveito da sua presidência. Além disso, tinham medo dele, pois toda a energia do Partido Republicano provinha dos partidários de Trump, que se contavam por milhões. Enquanto a maioria dos republicanos «respeitáveis» se apressam agora a saltar do barco Trump, que se está a afundar, o mesmo não acontece com os seus partidários.

Tem-se discutido muito sobre como foi possível que a turba de nacionalistas brancos tivesse conseguido penetrar no Capitólio. Os polícias do Capitólio abriram as portas e inclusivamente pousaram para tirar selfies com os trumpistas. Depois do ataque, o chefe da polícia do Capitólio demitiu-se. Porém, é impossível dizer se houve um acordo entre a polícia do Capitólio e Trump ou alguns dos seus sequazes.   

G.- Os conservadores estão ansiosos por subverter o sufrágio universal em virtude de a demografia ter diminuído a sua base potencial de eleitores brancos, rurais e suburbanos. A longo prazo, estão votados a desaparecer por causa desta mudança populacional. Mesmo assim, nesta última eleição, conseguiram angariar alguns votos de imigrantes recentes, sobretudo latinos e asiáticos. Embora estes grupos ainda continuem a votar maioritariamente nos democratas, os republicanos fizeram incursões no seu seio, porventura por eles se verem em competição directa com outras minorias urbanas, em particular afro-americanas e caraíbas. 

Victoria_Pickering

D.C. 6/6/20, fotografia de Victoria Pickering.

Voltemos a esta ideia reaccionária da «supremacia branca» e à sua dimensão política hoje.

B.- Esta supremacia branca não é nada de novo. O que estamos a assistir é à emergência das velhas contradições, vindas desde a fundação deste país de colonizadores, que levaram a uma guerra civil que foi ganha militarmente, e depois perdida politicamente, sendo sobretudo os negros a sofrer as consequências. Os negros, os latinos e os indígenas – e as mulheres durante muito tempo – nunca tiveram democracia aqui e continuam a lutar por uma verdadeira sociedade multirracial. Os próprios comentadores da imprensa de referência não puderam deixar de ficar chocados (enquanto nós, pela nossa parte, não ficámos surpreendidos) com a incrível diferença como foram tratados os supremacistas brancos pela mesma polícia que se especializou em espancar e prender manifestantes negros e de esquerda. Torna-se agora cada vez mais evidente que havia muitos polícias e militares naquela turba que tentou reverter os votos negros. A polícia, mais do que os militares, está fortemente impregnada de supremacistas brancos, e ainda mais de uma grande simpatia pelas suas opiniões e de hostilidade para com as pessoas de cor. Sabíamos isso. Mas estes acontecimentos determinaram um conhecimento mais alargado da enorme diferença como a polícia trata negros e brancos. Ninguém com olhos pode negar o que viu em 6 de Janeiro. 

Trump pode ser visto como um personagem unificador de todas as correntes reaccionárias, racistas, conspiracionistas, religiosas, fascistas? Neste sentido, é legítimo pensar que tenha um papel político no futuro?

G.- Trump teve de renegar a extrema-direita para manter a sua posição no partido republicano. Com uma condenação, não seria útil para ninguém. Penso que, de uma forma geral, ele não tem bons argumentos mobilizadores. Só foi capaz de unir conservadores e fascistas porque já tinha o poder supremo. Sem isso, as suas tácticas de intimidação tornar-se-ão muito menos eficazes e serão mais fontes de novas fracturas do que factores de união à sua volta.

A aliança entre conservadores e a extrema-direita está a desfazer-se muito rapidamente. Sem um líder que esteja já no poder, não há unidade possível. Por agora, o motim na capital pode ser visto como um último fôlego, do mesmo modo que as planeadas manifestações da extrema-direita nos parlamentos estaduais no dia da posse do presidente. Suspeito que muito em breve se irão digladiar entre eles. Tal como os republicanos estavam divididos nalgumas quinze facções antes da eleição de Trump, o partido ir-se-á dividir de novo internamente e a extrema-direita desagregar em dezenas de grupos separados e conflituantes entre si. 

Pode dizer-se que, nos Estados-Unidos, o Estado não está ao serviço da classe capitalista; pelo contrário, é a classe capitalista que é o Estado. Toda a elite política está íntima e directamente ligada ao capitalismo. De uma certa forma, a censura final das GAFAM a Trump veio sublinhar quem governa, quem tem o poder. Passamos do espectáculo político para a cena dos capitalistas que manipulam o dito espectáculo…

G.- Sim. Hoje em dia, as empresas tecnológicas são todo-poderosas; é um verdadeiro «capitalismo monopolista». O seu controlo dos meios de comunicação social permite-lhes destruir qualquer candidato político. Agora que Trump perdeu a possibilidade de usar o twitter e outras plataformas, a extrema-direita ficou basicamente decapitada. Isto explica os apelos, tanto de democratas como de republicanos, para regular as empresas tecnológicas, e mesmo acabar com elas. Estas empresas ajudaram Trump a ascender ao poder e, depois, a espalhar as suas mentiras, e agora têm a possibilidade de o silenciar. Os políticos percebem que podem ser os próximos e, de facto, os republicanos que votaram contra o reconhecimento de Biden como presidente estão a sofrer as consequências. Muitas companhias comprometeram-se a retirar-lhes os apoios.

Portland

Portland, após as eleiçōes de 2020.

E agora, o que se segue? Os Democratas podem conservar o poder político durante dois, talvez quatro anos. Biden e o seu governo de orientação liberal não parecem ser capazes de dar resposta a nenhuma das crises que o país enfrenta. Eventualmente, a crise sanitária poderá ser mitigada pela campanha de vacinação, mas a economia está a afundar-se, a miséria explode, a crise ambiental agrava-se cada dia que passa…

A.- «Ficaria surpreendido se a democracia burguesa «ao estilo Obama-Biden» sobrevivesse nos EUA mais de dez ou quinze anos… No passado, a classe dirigente americana podia entender-se mais ou menos quanto a um rumo futuro. Esse acordo sofreu um sério rombo durante os anos 60 com o fim do compromisso no congresso. Desde então, as divisões agravaram-se. Há anos que a política norte-americana se encontra polarizada e, com a ascensão ao poder de uma figura como Trump, um governo autoritário tornou-se uma possibilidade real.

Trump pode ter perdido a eleição, mas a ameaça trumpista mantém-se. Este ano, tal como em 2016, a maioria dos eleitores brancos votaram em Trump. Obteve mais de 72 milhões de votos e aqueles que votaram nele não vão desaparecer. Trump vai deixar o cargo, mas tentará conservar o controlo do partido republicano e continuará a vomitar ódio e a insistir em medidas autoritárias. Os EUA continuarão polarizados em termos políticos entre republicanos e democratas, ou, para dizer as coisas de um modo ligeiramente diferente, entre uma direita autoritária (partidários de Trump) e uma «esquerda» dividida entre centristas neoliberais e «progressistas».
 
A divisão entre republicanos e democratas tem sido uma batalha entre a «Main Street», ou localistas e a «Wall Street», ou globalistas. A «Main Street» agrupa os pequenos comerciantes, o imobiliário (de onde vem Trump), retalhistas, pequenos industriais, etc. focados sobretudo nos mercados locais. A Main Street tende a ser nativista, abertamente racista, muitas vezes anti-semita e, sobretudo, antigoverno. Abarca elementos da direita libertária e é apoiada discretamente pelas grandes empresas de combustíveis fósseis e por centenas de milhares de pessoas abastadas. O partido republicano de Trump faz lembrar o movimento em França de Pierre Poujade na década de 1950 (racista, anti-impostos, antigoverno) e a Frente Nacional de Jean-Marie Le Pen (antigoverno, racista, anti-imigrantes, anti-semítico, etc.). Contudo, ao contrário destes, Trump e os seus aliados conquistaram o poder, pelo menos durante quatro anos. Durante esse tempo, com a ajuda de um Senado complacente, fizeram tudo o que estava ao seu alcance para converter a democracia burguesa, tal como é, no governo de um só homem. Trump gostaria de tentar fazer censura à imprensa («a inimiga do povo», como lhe chama), incentivar a violência contra os manifestantes, destruir tudo o que existe de cultura liberal, etc.
 
«Wall Street» – os globalistas – dominou a política americana desde a década de 1930, embora tenha havido republicanos – Goldwater, Nixon, Reagan e, mais às claras, Trump – que cortejaram a Main Street, fazendo apelo ao racismo e alimentando-o. Pelo contrário, Biden representa um regresso ao status quo neoliberal de Obama. A sua missão, na visão dos centristas democratas, é «restituir» aos EUA o seu lugar «legítimo» no mundo, o que significa a renovação do poder imperial a nível global, domínio da NATO, «comércio livre» (eliminando as tarifas de Trump), melhores relações com a China e mesmo com o Irão, e uma política mais dura para com a Rússia e a Coreia do Norte. A nível interno, significa o apoio a programas que tiveram a sua origem com Roosevelt nos anos 30 (Segurança Social, aliança trabalhadores-governo), e com Kennedy nos anos 60 (seguros de saúde Medicare e Medicaid) e um apoio moderado aos direitos civis.

Os conservadores estão ansiosos por subverter o sufrágio universal em virtude de a demografia ter diminuído a sua base potencial de eleitores brancos, rurais e suburbanos.

P.- Por agora, a maior parte do país está contente por se ter visto livre de Trump e com esperança de que os democratas consigam pelo menos dar uma resposta organizada à pandemia.  Quanto ao resto, não tem grandes expectativas de que as coisas mudem. É como que um atrasar do relógio para 2016, para antes de Trump, excepto que o fosso ideológico entre os neoliberais reaccionários e os neoliberais progressistas se alargou. Biden será empurrado um pouco para a esquerda e o partido republicano pode muito bem desfazer-se. Verdadeiramente importante para a classe capitalista americana foi o facto de o populismo social-democrata de Bernie Sanders, uma preocupação nova, ter sido contido. As pessoas que não são conspiracionistas fascistas, nem notórias racistas, nem fundamentalistas religiosas ficaram tão aliviadas que estão de um modo geral contentes com o que lhes oferecem os democratas, pelo menos por agora. Mas a crença subjacente no sistema terá ficado porventura suficientemente debilitada para que, quando as disfunções do capitalismo inevitavelmente se manifestarem na degradação constante da economia, do clima e da saúde da população mundial, se comece a procurar uma alternativa.

A.- Biden vai revogar as ordens executivas de Trump, restaurar as salvaguardas ambientais que estavam em vigor em 2016, suavizar a política de imigração de Trump, admitir mais refugiados e imigrantes «legais», trabalhar com cientistas governamentais para controlar a pandemia, etc. Os dias dos «factos alternativos» e da anti ciência terminarão, pelo menos a nível do governo, embora Biden vá enfrentar revoltas a respeito de questões como o uso obrigatório de máscara e as leis das armas, ou estabelecer alguma forma de controlo sobre a polícia. Biden não dará seguimento à exigência dos progressistas de reduzir o orçamento da polícia, mas pode tentar avançar com reformas nas forças de segurança, o que provavelmente estará votado ao fracasso. Nos EUA, a polícia mantém uma cultura de funcionamento autónomo e continua a violar grosseiramente a lei, reprimir violentamente as manifestações e a assassinar negros, muitas vezes com total impunidade.
 
Em termos mais gerais, Biden, no seu primeiro ano no cargo, tentará prosseguir um programa neoliberal que provavelmente conjugará austeridade e globalismo amigo das grandes empresas. A sua administração tentará estancar a disseminação do coronavírus, tentar suster a queda da economia, talvez insistir num salário mínimo de 15 dólares por hora, etc. Todavia, tal como aconteceu com Obama, não conseguirá levar este programa muito longe. Entretanto, a polarização política continuará.

Capitolio

Apoiantes de Trump no Capitólio, fotografia de Carol Guzy | Zuma Wire.

Voltemos à questão da tendência social-democrata que se manifestou à volta da candidatura do Bernie Sanders. Quais são as suas perspectivas futuras?

A.- A grande maioria dos que seguem Bernie Sanders são, como o próprio Sanders, sociais-democratas moderados, muito sintonizados com o Democratic Socialists of America (DSA). Se alguém se der ao trabalho de eliminar a retórica republicana, o seu programa atrai grandes faixas da população, inclusivamente muitas pessoas que votaram no partido republicano: cuidados de saúde públicos universais («Medicare para todos»), universidades públicas sem propinas, o «New Deal Verde» (um esforço em grande escala para parar o aquecimento global), maior diversidade, uma política de imigração humana, etc. Sanders lidera uma corrente «progressista» que tem vindo a crescer no partido democrata, que teve ganhos nas eleições de 2018 e 2020 para a Câmara dos Representantes. O arauto mais conhecido da social-democracia na Câmara dos Representantes talvez seja Alexandria Ocasio-Cortez, que se tornou uma estrela da comunicação social e um dos ódios de estimação dos republicanos. O seu grupo na Câmara, conhecido por «squad» [brigada], constituída por mulheres de cor, tem também tido direito ao seu quinhão de ódio racial e de demonização.
 
Os eleitores jovens impulsionaram o desvio para a esquerda. Muitos encontram-se a braços com dívidas de empréstimos de estudos, muitos têm empregos precários e sem futuro, e não vêem perspectivas viáveis para si próprios ou os seus amigos, e têm mais consciência do que os mais velhos da ameaça que representa o aquecimento global. Uma sondagem recente do New York Times incindindo sobre a faixa etária dos 18 aos 39 anos mostra que, perante uma escolha entre capitalismo e socialismo (estava subjacente que se tratava aqui de social-democracia), metade escolheu o socialismo. E a percentagem pró-socialista seria sem dúvida maior se a pesquisa tivesse incluído apenas a faixa dos 18 aos 29 anos. Esta é uma tendência completamente nova na América!
 
Além disso, a análise estatística dos resultados eleitorais por idade mostra que, em estados em que os democratas ganharam, o grupo etário com maior percentagem de votos nos democratas foi o dos 18 aos 29 anos. A segunda maior percentagem referia-se às idades de 64 anos ou superior – o que não surpreende, dado que estes eleitores receavam, muito justamente, que, num segundo mandato, Trump e os republicanos eliminariam ou restringiriam a segurança social, o Medicare e o Medicaid.
 
As manifestações do Black Lives Matter que ocorreram durante o Verão acentuaram as divisões políticas. Os republicanos classificaram as manifestações de «motins», que deviam ser «dominadas» pela polícia e pelas milícias paramilitares governamentais, descreveram o Black Lives Matter como um «grupo de ódio» e tentaram fazer passar a ideia de que se os democratas ganhassem, os «antifa» e os «anarquistas» arrasariam as cidades. Os democratas tentaram apropriar-se de um movimento que começou por ser espontâneo e basista e, em grande medida, conseguiram-no. Black Lives Matter, que surgiu durante a revolta de Ferguson em 2014, beneficiou de uma enorme vaga de aprovação popular no início do Verão. No Outono, o movimento ainda promoveu manifestações, mas também apelos às pessoas para que fossem votar.

 


Texto de  Jorge Valadas, com a colaboração de  Luís Leitão que traduziu as passagens do Inglês.
Ilustração de  Goncalo Salvaterra.


Artigo publicado no JornalMapa, edição #30, Março|Maio 2021.


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Notas:

  1. Colum McCann, «Le grand entretien», America, n°16, Inverno 2021.

Written by

Jorge Valadas

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