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  • Um transporte à Belmiro

    Um transporte à Belmiro

    A empresa Atlântic Ferrys, propriedade da SONAE, que explora a travessia marítima do Rio Sado entre Setúbal e Tróia impede os seus utentes de adquirir bilhetes para a travessia num único sentido para o trajecto de passageiros no Catamarân. Na base desta solução encontra-se, segundo o administrador da empresa em declarações à imprensa local Setubalense, uma prática por parte dos utentes do Ferrys já comum e verificada de adquirir, na maioria das vezes, bilhetes de ida e volta. Não existe, no entanto, qualquer tipo de lógica compreensível para os utentes e a medida não passa de uma tentativa descarada de adquirir o maior volume de receitas possível através desta ligação e à conta dos seus utentes. Pela mesma fonte da empresa são ainda evocadas razões técnicas afirmando este que estas medidas permitem não haver necessidade de disponibilizar equipamentos para a compra de bilhetes do lado de Tróia.

    Medidas deste tipo resultam no impedimento, para uma grande parte da população, de se deslocar ao outro lado do rio já que é incomportável os 5.50e que lhes são exigido pelo bilhete de ida-e-volta. E mesmo para o bilhete simples. Por outro lado obriga, necessariamente, a que um utente, tenha de voltar à margem esquerda do Sado pelo mesmo caminho ou então perde uma viagem pela qual já pagou. Uma forma legal e educada de autorizar a ida mas não a permanência no TroiaResort. Da mesma forma a travessia com automóvel no FerryBoat fica extremamente dispendiosa. Por exemplo, os 5 passageiros de um automóvel ligeiro que se desloquem até à freguesia da Comporta desembolsam 23e pela travessia e deslocam-se cerca de 12km entre o Cais de desembarque e esta freguesia. A alternativa é seguir pela estrada Nacional nº10 até Alcácer do Sal e daí até à Comporta fazendo um percurso de aproximadamente 90Km.

    Estes preços e estas medidas dificultam o acesso a uma zona que, num passado não muito longínquo, era ponto de encontro e lazer para a população de Setúbal. Com a construção do TróiaResort muitos hábitos e praticas que se verificavam na península de Tróia foram sendo alterados ou destruídos. Hoje já não se vêem as enchentes de pessoas dos bairros setubalense para a praia devido não só aos excessivos preços dos bilhetes mas também ao facto do espaço de Tróia estar completamente alterado e modificad

  • 38,7 – 9,1

    38,7 – 9,1

    Cheguei como quem chega a casa, a algo familiar e acolhedor onde se encontra o que nos é próximo e se sabe o lugar das coisas até de olhos fechados.

    Saí de casa, daquela que me acolheu na minha última temporada ali e desci a avenida. A mesma avenida que tantas vezes subi e desci, desci e subi, tantas vezes mais do que uma vez ao dia, e dei por mim num lugar completamente desconhecido. Se por um lado me habituei às prostitutas, aos bêbados, novos e velhos, que por ali circundam, aos junkies em busca da próxima dose, só aqueles que vêem quem passa com o seu olhar alheado… não me habituei, e são para mim uma novidade os novos turistas novos, os Erasmus de Verão que por ali se passeiam e ocupam os passeios.

    Deparei-me com um concerto de Jazz no renovado largo do Intendente, que se antes se enchia de putas e homens mal encarados, estava agora repleto de rapazes e raparigas loirinhos e de olhos claros. Não só estrangeiros, mas também aqueles lisboetas que querem ser alternativos e olham para um largo que, se antes tinha vida própria e característica, agora é completamente estéril de tal.

    Desci mais um pouco, consolando-me com as frutarias de chineses e paquistaneses e mais esses que não portugueses, com as lojas de telemóveis e de produtos “indiferenciados”, e desemboquei no Martim Moniz. Antes praça tórrida mas com esplanadas diferentes, desde os chineses com os seus pãezinhos de vegetais, aos angolanos com as imperiais e mais coisas que desconheço mas sei que não vou saber nunca, ao quiosque do outro lado que, segundo um artigo que li no outro dia, pertencia ao descendente da mulher que fazia a fava-rica ali na mouraria. Um largo onde os não portugueses ficavam a falar com os seus turbantes coloridos e onde os miúdos aos Domingos jogavam cricket e durante a semana futebol.

    Agora o largo está cheio de esplanadas e gente fashion, com dj´s a pôr música ao final da tarde, enquanto a outra parte dos alternativos lisboetas se refastelam nas esplanadas e puffs que por lá estão e saboreiam refeições do mundo. Os que habitavam o largo ali continuam, mas desta vez não no seu centro pois estão renegados para os muros de pedra atrás dos cafés fancy.

    Tudo aquilo era tão estranho que fui então até ao largo da Ginginha e ali me sentei a saborear a velha ginja e a fumar um cigarro. Deleitei-me com as personagens que por ali passeavam e apanhavam ar. Não só os africanos que dali fazem o seu mercado improvisado e aproveitam o sol sentados nos banquinhos da praça da liberdade, ou lá como se chama aquilo, mas também aqueles que não pertencem a esta sociedade e no seu exterior optaram por viver. Será que nós a ela pertencemos ou temos aspiração a tal? Não seremos, ou não quereremos ser, tão exteriores a ela?

    Nada como um bocadinho naquelas escadinhas de onde se vê o mundo – com os verdadeiros turistas de máquinas fotográfica bem grandes e meias nas sandálias, e com todos aqueles que fazem desta a sua cidade, sem a pretensão de ser algo mais do que aquilo que ela é e os que a querem transformar.

    Antes, quando aquela era a minha cidade, enquanto deambulava pelas ruas e mais me caía em cima a noção de que ali estava, no meio de uma capital europeia, não deixava de pensar que aquilo era tudo tão rural e familiar. Uma noção de pequenez que não se sente noutras capitais, mas que não é de todo mau ou negativo.

    Gostava de passear e ver as velhotas à janela ou os gatos. De conhecer o nome do senhor de mercearia ou da banca do mercado. De conhecer o senhor da papelaria e saber o nome da sua mãe, velhinha, velhinha.

    É grande, mas parece pequena. É uma cidade que sempre amei e da qual sempre senti saudades quando estava fora, e era, sem dúvida, o meu ponto de comparação com tudo o resto… sempre disse que não me via a viver em nenhum outro lado senão ali.

    Depois, depois descobri o mundo e o mundo descobriu esta cidade… que se quer tornar cada vez mais homogénea e igual a todas as outras que por aí existem. Um verdadeira capital europeia, com o seus muitos circuitos alternativos e comerciais, que se complementam entre si, e com isso fazem perder aquilo que é lhe único.

    Gosto de saber que há outros sítios, e quando levo alguém a casa dos meus avós que ali moram, digo com orgulho ´chegámos ao campo`, um bairro pacato e de casas pequenas que não parece estar enfiado no meio de vias rápidas e terminais rodoviários. Mas também esse vai no sentido da prospecção e do ´luxo` que se tornaram estes paraísos no interior das metrópoles, com condomínios fechados e casas luxuosas, da junta de freguesia que só quer inovar para também fazer parte do roteiro da cidade. Para, e tal como os outros enfatizarão ao máximo aquilo que lhes é característico, pegar nisso e fazer disso a atracção turística, porque só assim é que a coisa pode crescer e multiplicar-se, principalmente o dinheiro. Haverá outra razão?

    Do sítio donde nunca pensei sair, saio agora, acho que sei para onde, mas uma certeza tenho.

    Independentemente do que aconteça, dos prédios e praças que se construam, ou mesmo que tudo arda e nada mais fique, a luz de Lisboa é única.

     

  • Um MAPA deve estar sempre à mão

    Um MAPA deve estar sempre à mão

    Partir de um ponto para chegar a outro. Parar. Continuar caminho para outro ponto e partir novamente para chegar a outro ponto. Na vida, como nas viagens, é o que liga as coisas que nos faz continuar o movimento. Os mapas podem-se desenhar assim: descobrindo linhas e percursos, fazendo ligações entre pontos, ultrapassando os limites do papel, marcando notas e referências, fazendo ligações e transmitindo informações. Em suma, comunicando. O que faz a cartografia interessante é a possibilidade de mapear coisas que estão para lá da geografia e do território e, por isso, quando se desenha um mapa, esperamos encontrar outro mapa e outro mapa e…

     Observar o terreno

     A democracia em Portugal deixou cair a sua aparência de estabilidade, liberdade e direitos garantidos à medida que uma crise de natureza económica e social ganha terreno no nosso dia-a-dia. A esperança que possa ser trazida pelas acções que muitos têm tomado ao ar livre para a confrontar não nos deve desviar olhar dos sinais quotidianos. Que continuam a ser a austeridade e a força musculada de um Estado, de um governo e de uma organização social  que partem, sem qualquer tipo de reticência, para a aprovação de leis mais rígidas, cortes salariais e despedimentos, aumentando o preço de tudo o que puder e colocando polícias armados até aos dentes em cada esquina. Sinais de que a sociedade falhou na sua capacidade de se manter de pé e continuar a prometer a paz, o pão, a saúde, habitação e a educação. Se existia, ainda, uma crença na capacidade dos políticos de todas as cores e dos parceiros sociais em solucionar os nossos problemas mais concretos, esta começa a ser seriamente posta em causa, uma vez que é difícil confiar em quem nos oferece miséria. As longas explicações de técnicos e políticos em conferências de imprensa e os números por estes vomitados em relatórios forjados não lhes dão mais legitimidade. Parece até que estão a gozar, a fazer troça e que isso lhes dá um certo prazer.

    Só quando percebemos que as medidas e transformações a que assistimos não são apenas de natureza económica nem apenas por causa da crise é que percebemos que é o modelo económico, social e cultural a que chamamos capitalismo que se está a transformar e a renovar para que se possa manter durante muito mais tempo. De facto, não é só a fruta que fica mais cara mas também o seu sabor que fica menos apurado, não é só o trabalho que escasseia mas aquele que ainda está disponível mais se parece com escravatura, não é apenas o preço do combustível que aumenta a cada dia mas é também o petróleo que escasseia nas reservas geológicas. O grande processo de auto-cura que a sociedade, em Portugal e no mundo, parece estar a atravessar vai resultar numa outra coisa. Vai dar lugar a uma sociedade que, funcionando de uma forma muito mais eficiente, lucra da mesma maneira com a nossa necessidade de comer e respirar. É, portanto, esse o modelo que desenvolve «novas dinâmicas» de mercado para vender o que resta da pouca fruta de baixa qualidade, que encontra formas mais democráticas de se ser escravo e vai gerir, a partir de avançados modelos, os recursos que ainda se encontram disponíveis.

    É o desenvolvimento da nossa capacidade de duvidar e agir que pode abrir possibilidades para desafiar o controlo que o Estado, os bancos ou as grandes empresas têm sobre o nosso pão, a nossa saúde, a nossa habitação, a nossa educação e a nossa informação. São as acções que tomamos que podem fazer com que o ar que respiramos e a comida que comemos não sejam coisas para vender. Mas existem várias formas para essas acções e resistir e confrontar a violência do capitalismo é tão importante como inventar formas de nos libertarmos dele.

    É por isso que bloquear os acessos a uma fábrica durante uma greve por mais salários é tão importante como colher vegetais de hortas comunitárias. É por isso que a mensagem contida num incêndio de um pórtico de autoestrada num contexto de luta contra as SCUT é tão importante como a ocupação de uma escola abandonada num Bairro. E é por tudo isso que comunicar é tão importante.

    Olhar para o papel

    Se existem , em Portugal, quase 3000 publicações periódicas porquê colocar mais um jornal em circulação? A resposta está contida não na quantidade mas no tipo e na qualidade dos jornais de massas e canais de informação que se avistam no terreno. O seu principal objectivo não é a informação ou a educação mas sim a criação de uma cultura de medo e a fabricação de opiniões.
    O processo é simples na descrição, complexo nas consequências. A partir da divulgação de notícias e informações espectaculares, exageradas e, em muitos casos, a divulgação de mentiras, os vários meios de informação desejam criar o medo de certos sujeitos (grupos sociais, fenómenos e pessoas). Num primeiro momento, abrem o caminho para que deixemos de pensar e passemos a ter todos a mesma opinião, a mesma visão sobre os mesmos assuntos e, inevitavelmente, cheguemos às mesmas conclusões. Noutras alturas, a divulgação de notícias e informações cumpre um objectivo determinado, ou seja, está subordinada aos interesses políticos e económicos do canal informativo ou do jornal onde é publicada. Bastaria, para tanto, notar que os grandes jornais, televisões e agências de noticias não só pertencem a grandes e conhecidos grupos económicos como são a expressão dos partidos políticos das suas áreas de influência, de juízes e polícias. Descrever esta dinâmica é impossível no espaço de duas páginas mas necessário ao longo do mapa. É mais importante ter consciência de que o pensamento livre e crítico, natural dos seres humanos, parece ser um tremendo inimigo das agências de notícias, dos jornais sensacionalistas, dos panfletos publicitários e dos grandes opinion makers da nossa praça.

     

    Marcar pontos e traçar linhas

    As 16 páginas que aqui estão foram pensadas enquanto projecto de comunicação. Sob a forma de jornal, publicam-se e difundem-se notícias, reportagens, entrevistas, análises, fotografias e ilustrações que sejam um contributo para ultrapassar o tal sistema económico e social baseado no dinheiro, no poder, na dominação e na exploração. Em suma, tratam-se elementos para a acção e o pensamento crítico.

    Para isso, pratica-se a denuncia nas suas páginas. A partir do desenvolvimento de um espaço de informação que contenha as notícias da actualidade local escondida, os episódios perdidos, as versões censuradas e as correspondências não publicadas põem-se a nu os crimes e as contradições da actualidade.

    Essas contradições estão contidas nas ocupações e nos incêndios referidos em cima mas também em inúmeras outras situações, lutas e projectos. Estão nas assembleias populares, no bloqueio dos portos pelos trabalhadores da estiva, nas denúncias que reclusos fazem contra o sistema prisional e nos insultos que recebem os políticos onde quer que tenham a vergonha de aparecer. Também aqui precisamos de um mapa.

    Para além disso trata-se de traçar linhas, fazer ligações e apontar o que há de comum entre pontos aparentemente desconexos. A possibilidade de comunicação parece surgir de um balancear entre o que potenciamos e o que denunciamos.

    Assim, um MAPA pode ser muita coisa: uma ferramenta, um meio de informação, um projecto de comunicação e, finalmente, um jornal.

    Desenhar mapas

    Este é o número inaugural. É, em muitos aspectos, experimental e tem como objectivo dar-se a conhecer para extrair dos seus leitores reacções e comentários que se transformem em combustível para a viajem que queremos fazer ao longo do MAPA.
    O jornalismo que queremos praticar não é uma tarefa de profissionais e as fontes que consideramos são várias e diversas. Dos blogues locais às redes sociais, das entrevistas a desconhecidos na rua às declarações «sacadas» da Internet, das investigações no terreno às conversas com «especialistas» tudo são possibilidades para a informação crítica. Todos somos jornalistas quando escrevemos sobre uma situação no nosso bairro, fotografamos a nossa rua ou informamos sobre uma luta a ter lugar na nossa cidade.

    Para além disto, a experiência diz-nos que a comunicação admite formas que ultrapassam a palavra, o texto, a imagem e o próprio meio em que a desenvolvemos. A comunicação surge em vários formatos e é impossível abranger ou sequer pensar que se consegue abranger a comunicação no seu todo. Uma mensagem escrita numa parede pode conter mais informação importante que um artigo publicado num jornal. Um rol de acontecimentos a terem lugar a uma rapidez cada vez maior fazem da prática jornalística e da actividade informativa um desafio. Da mesma forma, uma complexa rede de relações na sociedade leva-nos a não assumir, nem a isso nos propormos, o relato e cobertura total dos assuntos que abordamos. Teremos, sem dúvida, uma visão, uma interpretação e uma forma de olhar, mas não teremos, de forma alguma, a verdade. A nossa única verdade é a preferência que temos pelos gritos na rua em detrimento das palavras dos gabinetes, as rádios e os jornais locais em vez dos canais centrais da informação, as letras das músicas em vez dos pareceres dos analistas e a escrita a partir do terreno em vez de ficar só a olhar.

    Para além disto o MAPA sai para as ruas em papel e estamos conscientes dos limites, mas também das possibilidades, de um jornal impresso em Portugal, no séc XXI. Possui tempo médio de vida e prazo de validade, pode vir rasgado ou sem cor mas pode ser lido em qualquer lado. É, aliás, por isso que é em papel antes de ser uma página na Internet. Para ser lido no autocarro e no café, na biblioteca e na sala de espera, para ser levado para a rua e partilhado entre todos. Bem enrolado pode servir de megafone, bem dobrado podem-se fazer aviões com as suas páginas para chegar a outras latitudes mas, em todos os casos, um MAPA deve estar sempre à mão.

     

  • Setembro 15 Outubro

    Setembro 15 Outubro

    A austeridade imposta(ou dócilmente aceite) começa a agitar as águas da famosa serenidade do povo português, as manifestações de 15 de Setembro abriram as hostilidades.

    Muitas têm sido as respostas às medidas de austeridade e aos ataques do Estado. De Norte a Sul de Portugal têm tido lugar manifestações, concentrações, sabotagens e um sem fim de outras acções. A mais falada e participada das respostas à austeridade foi a manifestação “Que se lixe a Troika, queremos as nossas vidas” no passado dia 15 de Setembro em várias cidades de Portugal e que em Lisboa, por exemplo, contou com cerca de 500.000 pessoas.

    A característica mais interessante deste protesto, e amplamente aceite pelos que nele estiveram presentes, foi o facto de ter ultrapassado os limites comuns estão sujeitos muitos actos de protesto e, neste caso, a convocatória original dos organizadores. Trâmites como um percurso definido, horas de início e fim do protesto ou palavras de ordem pré-definidas foram praticamente inexistentes devido não apenas à raiva e à revolta social criada pelas novas medidas de austeridade mas também devido ao facto de um número inédito e gigantesco de pessoas terem aderido ao protesto. Em Lisboa, a manifestação que deveria ter acabado na Praça de Espanha, rapidamente seguiu em direcção à AR acabando por acabar nesse ponto muitas horas depois. Ao passar em frente à sede da representação da Troika foram atiradas frutas e petardos. Durante todo o percurso foram pintadas várias montras de bancos e empresas bem como paredes com frases de protesto e foram ainda lançados petardos e fogo de artifício.

    Os momentos mais tensos acabaram por acontecer em frente à AR onde a polícia se viu a braços com a resistência de muitos manifestantes que não se conformaram nem com as medidas de austeridade nem com os cordões ameaçadores da polícia que acabou por ser confrontada no local. Deste dia contam-se 4 detenções e na sequência um dos detidos foi condenado a um ano de pena suspensa acusado, pelo Estado, de resistência e coacção. No Porto foram partidos vidros de bancos e de uma empresa de Seguros. Nesta cidade, a manifestação contou, segundo os organizadores, com cerca de 100000 pessoas na Praça dos Aliados. Em Castelo Branco a cidade acordou com uma grande faixa no Castelo onde se podia ler BASTA!.

    Na sexta-feira dia 21 de Setembro milhares de pessoas juntaram-se em frente ao Palácio de Belém em protesto simultâneo com o Conselho de Ministros a decorrer no interior. A Polícia voltou a marcar presença num tom provocatório. Foram detidas 5 pessoas.

    No dia 5 de Outubro 14 pessoas foram levadas para a esquadra no seguimento de uma concentração marcada para a AR sob o objectivo de uma “Invasão à Assembleia”. 5 pessoas foram presentes a tribunal. A 15 de Outubro aquando da entrega do orçamento de Estado para 2013 milhares de pessoas estiveram concentradas novamente em frente à AR para um “Cerco a S.Bento”. Durante a manifestação foram expulsos, por parte dos manifestantes, agentes da polícia vestidos à civil que se tinham infiltrado na manifestação. Pela noite, uma gigantesca fogueira foi acesa em frente às escadarias que ai permaneceu iluminando a noite. Os momentos mais tensos tiveram lugar junto à residência oficial do primeiro ministro onde mais agentes à civil foram expulsos pelos manifestantes que ai se deslocaram para se manifestarem contra deputados que estariam alegadamente a abandonar a AR. Nesse momento a polícia posicionou-se para defender a entrada lateral da AR e acabou por encontrar uma grande resposta à presença ameaçadora e imponente que havia demonstrado durante todo o protesto e, além disso, contra as perseguições, espancamentos e detenções que tem levado a cabo durante e após muitos protestos nos últimos tempos.

    No que toca greves tem decorrido há largas semanas a greve dos estivadores aos Sábados, Domingos e Feriados e aos dias úteis das 17h e as 8h segundo um comunicado dos mesmos. Perante esta greve os patrões, numa atitude de chantagem, exigiram que se fizesse uma requisição civil.

    [Todos os dias têm lugar acções de protesto e uma lista completa de todas elas necessitaria de um espaço claramente superior ao disponibilizado nas páginas do jornal MAPA]

  • Mapa número zero

    Mapa número zero

    Apresentação, tiro de saída, ameaça, prova, ou simplesmente o primogénito de um projecto que esperamos procrie de forma abundante. Que se preparem todos os infames e mercenários “fazedores de opinião” da nossa praça, chegou um jornal com opinião própria!

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