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Lendo: Setembro 15 Outubro

Setembro 15 Outubro

Setembro 15 Outubro


A austeridade imposta(ou dócilmente aceite) começa a agitar as águas da famosa serenidade do povo português, as manifestações de 15 de Setembro abriram as hostilidades.

Muitas têm sido as respostas às medidas de austeridade e aos ataques do Estado. De Norte a Sul de Portugal têm tido lugar manifestações, concentrações, sabotagens e um sem fim de outras acções. A mais falada e participada das respostas à austeridade foi a manifestação “Que se lixe a Troika, queremos as nossas vidas” no passado dia 15 de Setembro em várias cidades de Portugal e que em Lisboa, por exemplo, contou com cerca de 500.000 pessoas.

A característica mais interessante deste protesto, e amplamente aceite pelos que nele estiveram presentes, foi o facto de ter ultrapassado os limites comuns estão sujeitos muitos actos de protesto e, neste caso, a convocatória original dos organizadores. Trâmites como um percurso definido, horas de início e fim do protesto ou palavras de ordem pré-definidas foram praticamente inexistentes devido não apenas à raiva e à revolta social criada pelas novas medidas de austeridade mas também devido ao facto de um número inédito e gigantesco de pessoas terem aderido ao protesto. Em Lisboa, a manifestação que deveria ter acabado na Praça de Espanha, rapidamente seguiu em direcção à AR acabando por acabar nesse ponto muitas horas depois. Ao passar em frente à sede da representação da Troika foram atiradas frutas e petardos. Durante todo o percurso foram pintadas várias montras de bancos e empresas bem como paredes com frases de protesto e foram ainda lançados petardos e fogo de artifício.

Os momentos mais tensos acabaram por acontecer em frente à AR onde a polícia se viu a braços com a resistência de muitos manifestantes que não se conformaram nem com as medidas de austeridade nem com os cordões ameaçadores da polícia que acabou por ser confrontada no local. Deste dia contam-se 4 detenções e na sequência um dos detidos foi condenado a um ano de pena suspensa acusado, pelo Estado, de resistência e coacção. No Porto foram partidos vidros de bancos e de uma empresa de Seguros. Nesta cidade, a manifestação contou, segundo os organizadores, com cerca de 100000 pessoas na Praça dos Aliados. Em Castelo Branco a cidade acordou com uma grande faixa no Castelo onde se podia ler BASTA!.

Na sexta-feira dia 21 de Setembro milhares de pessoas juntaram-se em frente ao Palácio de Belém em protesto simultâneo com o Conselho de Ministros a decorrer no interior. A Polícia voltou a marcar presença num tom provocatório. Foram detidas 5 pessoas.

No dia 5 de Outubro 14 pessoas foram levadas para a esquadra no seguimento de uma concentração marcada para a AR sob o objectivo de uma “Invasão à Assembleia”. 5 pessoas foram presentes a tribunal. A 15 de Outubro aquando da entrega do orçamento de Estado para 2013 milhares de pessoas estiveram concentradas novamente em frente à AR para um “Cerco a S.Bento”. Durante a manifestação foram expulsos, por parte dos manifestantes, agentes da polícia vestidos à civil que se tinham infiltrado na manifestação. Pela noite, uma gigantesca fogueira foi acesa em frente às escadarias que ai permaneceu iluminando a noite. Os momentos mais tensos tiveram lugar junto à residência oficial do primeiro ministro onde mais agentes à civil foram expulsos pelos manifestantes que ai se deslocaram para se manifestarem contra deputados que estariam alegadamente a abandonar a AR. Nesse momento a polícia posicionou-se para defender a entrada lateral da AR e acabou por encontrar uma grande resposta à presença ameaçadora e imponente que havia demonstrado durante todo o protesto e, além disso, contra as perseguições, espancamentos e detenções que tem levado a cabo durante e após muitos protestos nos últimos tempos.

No que toca greves tem decorrido há largas semanas a greve dos estivadores aos Sábados, Domingos e Feriados e aos dias úteis das 17h e as 8h segundo um comunicado dos mesmos. Perante esta greve os patrões, numa atitude de chantagem, exigiram que se fizesse uma requisição civil.

[Todos os dias têm lugar acções de protesto e uma lista completa de todas elas necessitaria de um espaço claramente superior ao disponibilizado nas páginas do jornal MAPA]

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