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Lendo: População do Barroso acolhe opositores à mineração na segunda edição do Acampamento em Defesa de Covas do Barroso

População do Barroso acolhe opositores à mineração na segunda edição do Acampamento em Defesa de Covas do Barroso

População do Barroso acolhe opositores à mineração na segunda edição do Acampamento em Defesa de Covas do Barroso


A aldeia de Covas do Barroso em Boticas volta a acolher, entre os dias 12 e 15 de Agosto, quem de norte a sul se tem vindo a juntar à população local em luta contra a instalação das minas de lítio na região. Trata-se da segunda edição do Acampamento em Defesa de Covas do Barroso, que juntará na Quinta do Cruzeiro os habitantes locais com dezenas de opositores à mineração vindos de vários pontos do país, da vizinha Galiza e de outros países.

Passado um ano mais em luta, o manifesto de 2022, acentua que «se no passado achávamos que (apenas) teríamos que enfrentar uma empresa e o governo português para proteger o nosso território e o património, agora sabemos que vale tudo. Fomos confrontados/as com ameaças, com tentativas de intrusão nos processos democráticos do poder local e, inclusive, com as mais básicas táticas de divisão, segundo a famosa máxima “dividir para conquistar”» . Os colectivos locais que o acampamento enuncia – a UDCB – Unidos em Defesa de Covas de Barroso; a ACENDALHA – Associação Cultural de Paradela do Rio; o Movimento não às Minas e a Associação Montalegre com Vida de Montalegre; a associação PNB – Povo e Natureza do Barroso; assim como o grupo Minas não, sim à Vida – têm vindo a denunciar como do outro lado deste conflito da mineração se puseram em marcha ao longo do último ano «insidiosas manobras de divisão social orquestradas pelas companhias mineiras».

A organização do Acampamento em Defesa de Covas do Barroso, alerta ainda de que «perante o cenário de guerra e de militarização da sociedade, o mundo vê-se  obrigado a refletir sobre o que significa e quanto custa realmente a “transição” energética que se adivinha». Razão para «confrontar e desconstruir a ideia de que a transição energética tem de passar, necessariamente,   pelo extrativismo desenfreado, pelo esgotamento de todos os recursos naturais segundo o plano de terra arrasada, pela despossessão dos territórios rurais, e pela procura incessante de lucros.»

Para dar conta como «em Covas do Barroso temos a prova de que as leis valem pouco ou nada se não forem aplicadas e mais ainda se o governo e as instituições públicas estiverem dispostas a ceder e a curvar-se à vontade das empresas mineiras», os participantes no Acampamento serão acolhidos na sexta feira dia 12 com a passagem do filme «Não às Minas. Barroso – Um povo em Resistência» de Paloma Ruiz, Francisco Norega e Apolline Anor (França, Portugal e Suiça). Pela manhã do dia seguinte haverá lugar à história oral da região, e uma conversa que se adivinha crucial para entender o que está jogo nesta luta contra a mineração: «Baldios: O que são e qual a sua importância?». Recentemente a Comunidade Local dos Baldios de Covas do Barroso interpôs uma acção judicial contra a Savannah Lithium, acusando a indevida apropriação de terrenos para a exploração de lítio nesta freguesia do concelho de Boticas.

No domingo, dia 14, haverá lugar ao debate sobre «os projetos da tecnocracia: Agenda 2030, o desenvolvimento sustentável e o transhumanismo.», que dá o mote à apresentação dos livros “Transumano mon amour”, com o autor Andrea Mazzola, edições sob o selo do Jornal MAPA. Nesse mesmo dia o olhar global prossegue em conversas sobre as lutas contra a mineração na Alemanha, na Sérvia ou no Brasil. Inevitavelmente outro dos motes lançados à conversa é o de «Obter Licença social para operar estratégias de contra-insurgência das mineradoras.». A dimensão agregadora das lutas é cimentada na segunda-feira num encontro entre os movimentos contra o extrativismo e a apresentação do Observatório Ibérico da Mineração e de uma estratégia alargada de comunicação anti-extrativismo.

A animação ao longo dos dias está assegurado pelo Grupo de Teatro Comunitário do Campo e concertos d’Os terríveis da Insua – Gaiteirxs dos Montes Encantados da Galiza, de Navegantes de Rua & Amijas e de Pro.pa.ga.ção, além da performance xs Marujxs e dos Jogos Populares e jantares na Associação Cultural e Recreativa de Covas do Barroso. O Acampamento terminará com uma arruada em Boticas na Terça-feira.

 

Sabe tudo e como chegar e se inscrever no acampamento em https://barrososemminas.org/

 


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Jornal Mapa

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