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  • Média: o braço escrito do Estado Policial

    Média: o braço escrito do Estado Policial

    “Os jornalistas actuais estão de tal forma habituados à submissão e até ao êxtase dos cidadãos ante as exigências da informação – da qual gostam de aparentar ser sumos-sacerdotes quando, na realidade, não passam de assalariados –, que, creio, muitos têm por condenável alguém não aceitar explicar-se perante a sua autoridade.” Guy Debord em Considerações sobre o assassinato de Gérard Lebovici (1985)

    Vivemos em plena era da informação, onde a multiplicação de canais de comunicação faz com que a difusão de histórias ganhe uma velocidade vertiginosa, onde os tempos se reduzem e a realidade que tocamos parece ser ultrapassada. As redes sociais implementaram-se e introduziram novos paradigmas na comunicação. O fluxo constante de estímulos exteriores e notícias globais causam uma nuvem que se coloca entre nós e o que vivemos, num tempo em que o apelo à transparência parece carregar a necessidade vital de tudo ser trazido à luz do dia, como se a nossa própria existência dependesse da partilha absoluta da nossa vida privada. Um gigantesco “espectáculo da realidade”, decidido à distância e sem rosto, onde se evitam as pontas soltas que permitam que cada um complete a sua história.

    Ditam-se notícias como se eles fossem verdades essenciais, sustenta-se um sistema na ilusão de que o relato duma sucessão de factos torna um mundo mais igualitário: os relatos sucedem-se e amontoam-se sem que isso leve a uma transformação de raiz nas relações na pirâmide do poder. Devassa-se a privacidade e o que verdadeiramente importa, ou se mantém conscientemente secreto ou se torna banal e folclórico, levando ao embrutecimento dum pensamento crítico que parece estar impedido da sua aplicação prática no real. Tomar a história nas nossas mãos é também rompermos essas amarras.

    Parte integrante e vital do sistema económico onde se inserem, os canais de comunicação de massa (globalizados no passado século mas em mutação permanente), ganharam lugar-tenente na definição da verdade, auto-nomeando-se para o papel de orientadores do equilíbrio social, assumindo-se como justiceiros profissionais munidos dum estóico código deontológico. Na viragem desta primeira década do século XXI, a sua concentração na mão de grandes grupos económicos leva à simples dedução das suas ligações à lei económica e à ordem instituída. Oscila-se assim ora um pouco mais para a direita ora pouco mais para a esquerda, nunca questionando o domínio em si, mas sim quem, de acordo com os interesses do seu presente, o disputa. Fazer das previsões uma certeza única, acusando os inimigos do presente, criminalizando a dissidência do rumo futuro. E aí tornam-se o braço escrito dum estado policial.

    “a meia dúzia de desordeiros profissionais”

    O recente caso da cedência de imagens não editadas da RTP à polícia, referentes à manifestação em frente ao parlamento do passado 14 de Novembro (ver caixa), de forma a que esta procedesse à identificação de manifestantes, pode ser visto como paradigmático da relação entre a comunicação social e a ordem dominante. Se, neste caso, foi levantada alguma polémica, que cedo se dissipou por entre o burburinho mediático quotidiano (ainda que o acosso policial sobre os manifestantes continue, com vários processos pendentes), muitas são as vezes em que a prosa jornalística ganha a forma da voz do regime social e económico vigente. Nos últimos anos, são várias as situações onde, de forma mais ou menos explícita, em momentos de possível ruptura ou enfrentamento social, a voz dos jornais assume um tom criminalizante perante aqueles que protestam nas ruas. Os exemplos dos dias que antecederam a cimeira da NATO em Lisboa em 2010 ou da cobertura dos dias que se seguiram às manifestações que ocorreram em todo o país no ano de 2012, são bastante claros na abordagem: a da tentativa de isolamento de quem protesta fora dos quadrantes institucionais, procurando um mau da fita que justifique um policiamento generalizado da vida.
    Esta abordagem jornalística, que tanto pode ser veiculada pelas palavras de escribas profissionais como pela repetição de declarações alarmantes provindas de organizações “especializadas” que surgem à luz do dia quase exclusivamente nestas situações (como o caso da OSCOT (Observatório de Segurança, criminalidade organizada e terrorismo) ou de representantes do governo nacional (as declarações do ministro da administração interna Miguel Macedo e a sua insistência “na meia dúzia de desordeiros profissionais” a seguir aos confrontos entre manifestantes e polícia em Novembro passado), expande-se através dos canais de comunicação. Entre Janeiro de 2009 e o final do ano de 2010, várias foram as notícias cujos contactos com fontes policiais se assumem directos ainda que sempre com base na insinuação mais primária: novelas de pacotilha, escritas com base na ignorância ideológica, que traça relações entre diferentes elos, apontando possíveis responsáveis para acções que por vezes nem chegaram sequer a acontecer. O tom alarmista com que os artigos são escritos, partindo da bradada e clássica retórica “anti-terrorista”, tornam questionável a motivação da sua escrita, procurando ou a dissuasão de tais práticas de protesto ou apresentar presumíveis culpados caso estas aconteçam.

    A constante marginalização de quem sofre na pele os efeitos directos da repressão, seja numa manifestação pública seja nas ruas pouco visíveis das periferias das cidades, tem encontrado nos canais de comunicação corporativos um braço escrito, capaz de desenhar as dinâmicas desejadas pelas forças de segurança, necessárias para a uma desculpabilização e desresponsabilização públicas das mais violentas práticas de abuso da autoridade. Através da criação do medo, seja da delinquência, seja das consequências da apregoada crise, torna-se assim mais um elo numa cadeia que difunde a desconfiança constante dum suposto inimigo comum e invisível. A comunicação torna-se a voz do regime estatal e económico.

    Da pluralidade do mundo à homogeneização da informação

    Num tempo em que se menciona a pluralidade dos canais de informação, a perspectiva duma história democrática torna-se questionável. A dissonância de vozes que existem são facilmente abafadas por quem consegue fazer circular a informação de forma massiva. Numa imensa paleta de cores possíveis, as estruturas dominadoras da expansão da informação desenham um mundo a preto e branco. No estado português existem neste momento 5 jornais principais de tiragem diária (Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Público, Correio da Manhã e o I, excluindo os 3 diários desportivos) que, para uma constante alimentação na corrida pela informação, necessitam de conteúdos como de pão para a boca. Estes encontram-se dependentes, fora os das notícias locais que compõe o imaginário do crime tresloucado e bizarro, quase exclusivamente, de uma agência noticiosa portuguesa (a LUSA) e de outras duas agências históricas internacionais (A Reuters e a France Press) e das informações que chegam das estruturas estatais e policiais. O frenesim causado pela urgência de notícias que alimentem a voracidade duma actualidade viciada em estímulos exteriores fica assim nas mãos de fontes exclusivas e que são constantemente as mesmas: por mais que a pluralidade de canais de comunicação seja evidente, também o é que as notícias se repetem com o mesmo tom e perspectiva. Como se uma história se reduzisse a factos neutros e o que realmente é escrito se inscrevesse como verdade.

    Por entre a avalanche de notícias de uma actualidade de cariz sensacionalista, num mundo aparentemente composto de crime, da banalidade do espectáculo e dos famosos e dos paternalistas casos de sucesso (como o caso do propagado pastel de nata em série ou o ovo estrelado instantâneo), a homogeneização da percepção do mundo que se expande desde os canais mediáticos até às mesas de café, onde eles são avidamente discutidos, leva à criação duma noção de normalidade onde o “outro” significa o “estranho”: e ainda que o indivíduo tenha a possibilidade de se expressar, há sempre alguém que lhe diz até onde deve ir.

    Quem dita o diâmetros da liberdade de expressão?

    José Alberto Carvalho, director de programação da TVI, após os insultos a Relvas na sua visita ao ISCTE organizada pelos 20 anos da TVI no passado dia 20 de Fevereiro, dizia à audiência em protesto: “Podem contar connosco para a defesa da liberdade de expressão”. Mais tarde, numa entrevista ao jornal Público (edição de 21/02/2013), fazendo uso duma série de chavões, diz que o protesto deve ter regras e que ninguém deve ser impedido de falar, mesmo que esse alguém accione, quando se vê a si e ao seu poder ameaçados, as medidas de segurança que atropelam todas as liberdades mais elementares do indivíduo. A polícia mata nas ruas, entra por tudo o que é pequeno negócio. Tenta-se abater todas as economias de subsistência e de desenrasque, criminalizam-se ideias, prendem-se e deportam-se imigrantes, demolem-se bairros com gente lá dentro e tudo isso é sabido. Banalizam-se os factos e transmite-se a impotência de os alterar. A inacção permanece porque qualquer acção de combate sobre isso será criminalizável.
    Num repente, o monopólio das causas parece estar também nas mãos dos média. Nos dias que correm, palavras de ordem duma manifestação podem fazer parte das páginas centrais dum suplemento económico dum jornal (JN de 2 de Março de 2013), as coberturas das manifestações são massivas, a “indignação” em resposta à “austeridade” torna-se também ela peça fundamental na construção das narrativas mediáticas. Assinalam o que é de salutar e o que é criticável, procurando ser juízes e detectives em simultâneo, dividindo entre o que parece ser inofensivo e o que pode ser uma ameaça para a ordem dominante. A heresia absoluta é a da ruptura com a “liberdade de expressão”, cujos padrões parecem ser definidos por uns quantos, e que parece ter sido apropriada pelas entidades políticas e policiais. O que se parece dizer então, é que as coisas podem ser todas colocadas à vista, desde que não se faça nada de sério para tentar alterar a sua raiz: esvanecem-se as vontades duma sociedade igualitária, leva-se como normal o mundo que se nos é apresentado, insinuando que sempre foi assim. Baseiam-se as narrativas numa série de arquétipos e lugares comuns que pretendem encaixar todas as acções sobre o mundo em lugares já estipulados. No entanto, as vontades reais, são as de criar e recuperar lugares que não existem ainda e que possam realmente alterar a ordem das coisas. Urge assim a criação de novas formas que encontrem na imprevisibilidade da história a fonte do seu crescimento, que não se deixem abater por aquelas que se pretendem impor pela repetição constante e pela sua difusão global, que procuram não só definir o presente como conduzir o futuro, como se ele se tratasse de um só possível.

    Na manifestação do 14 de Novembro, em frente à Assembleia, as câmaras da RTP, para além das da própria polícia, filmaram os protestos que terminaram com uma carga policial. Nos dias que se seguiram, a Unidade Especial da Polícia fez um pedido e teve acesso a imagens não editadas da cadeia televisiva, posteriormente utilizadas para identificações e campanhas de acusação e montagem judicial. Refira-se também que a própria polícia tem vindo a recolher ilegalmente imagens durante as manifestações.“O parecer diz aquilo que o bom senso recomenda. Há um dever de colaboração por parte das televisões com as forças policiais, mas esse dever de colaboração só deve existir depois de protegido o sigilo profissional e, ao mesmo tempo, preservado aquilo a que eu chamo o poder editorial”, afirmou na altura Carlos Magno, director da Entidade Reguladora da Comunicação.
  • Ulrich, o incendiário

    Ulrich, o incendiário

    Ulrich é um incendiário. Pouco tempo depois de ajudar a provocar um colapso financeiro que ainda andamos a pagar, quase nada após receber dos contribuintes largos milhares, decidiu dizer que as pessoas podem aguentar mais austeridade. Podia-se ter ficado por aqui, não seria a primeira nem a última vez que se ouviria um senhor com um ordenado milionário dizer uma coisa destas. Mas não. Achou por bem comparar os portugueses com os gregos, que estão sob medidas ainda mais graves, chegando mesmo a afirmar que partir montras de bancos é uma espécie de prova de vida. Nunca tal apelo à violência se tinha ainda ouvido. Ulrich é um incendiário.

    A coisa não surtiu efeito. Talvez as pessoas, pouco habituadas a que um banqueiro faça tais apelos, não tenham conseguido processar a situação devidamente. Mas Ulrich é um homem com uma missão. E, em breve, voltou à carga. Desta vez para dizer que, em nome da estabilidade das empresas financeiras, o limiar até ao qual era legítimo rebaixar o ser humano era o da indigência. Se um ponto percentual de valorização bolsista implicar mais mil sem-abrigo, pois que assim seja. Se isto não pretende acicatar ânimos e apelar à rebelião, então não percebo nada de comunicação. Ulrich é um incendiário.

    Mas não se ficou por aqui, o director do BPI. No aparente arrependimento que demonstrou em dias seguintes, limitou-se a explicar que nunca pretendeu insultar os sem-abrigo. Claro que não. Insultava, sim, os que ainda têm sítio onde dormir, os que ainda lhe pagam os devaneios no casino da finança. Insultava os que ainda têm a força de terem alguma coisa a perder. Ulrich é um incendiário.

    Acrescentou, por fim, que ninguém lhe dá lições de consciência social, que ele é pessoa para ter tudo bem definido na sua cabeça e sabe que um rico é feito de pobres e que não cabe aos primeiros partir a amarras dos seus próprios privilégios. Ulrich é um incendiário.

  • Quebrar o cerco

    Quebrar o cerco

    editorial1

     

     

     

     

     

     

     

    As páginas centrais deste primeiro número do jornal Mapa são dedicadas à violência quotidiana que o capitalismo e, concretamente, o Estado português impõe nas nossas vidas. Poucos dias antes do fecho da edição, mais um miúdo morreu às mãos da polícia.

    Numa tarde de Sábado, dia 16 de Março, Rúben, um jovem Setubalense de 18 morreu na sequência de um despiste ocorrido durante uma perseguição policial que envolveu disparo de armas de fogo pelos agentes da PSP . Desde logo, nos principais meios de comunicação, os relatos divergem, mas todos são unânimes ao apontar que o jovem desrespeitou um sinal de trânsito, que não usava capacete e que não parou quando a polícia o mandou.

     

    A versão das ruas e de alguns dos seus moradores é bem diferente e o que se segue é um relato dos acontecimentos:

    Eles eram quatro, vinham nas motas e não se percebeu se vinham a ser perseguidos “oficialmente”, uma vez que o carro com os agentes (ao todo 4) não vinha com as sirenes ligadas. Entraram numa rua a perseguir apenas o Rúben, em grande velocidade, e com fortes possibilidades de atropelar alguém. Este virou para um sítio onde os carros não conseguem circular, subindo um passeio com a mota; os agentes saíram logo do carro e dispararam para não o deixarem fugir. Dispararam directamente ao rapaz, que se despistou e bateu contra uma caixa de electricidade embatendo fatalmente com a cabeça. O capacete ficou ali ao pé da árvore, os vários cartuchos das balas foram rapidamente recolhidos pelos polícias tentando esconder os disparos. De seguida, muitos moradores cercaram a polícia, revoltados com o que acabara de acontecer, ameaçando os agentes, sobretudo o agente Parreira, aquele que é apontado como ter disparado directamente ao Rúben e que é conhecido na zona pela sua extrema violência. O próprio declarou, no momento, “Se eu soubesse que isto ia acontecer, não tinha feito isto”. A situação tornou-se mais tensa e os agentes ali presentes foram corridos com pedras e insultos, mas em momento algum chamaram o corpo de intervenção ou ousaram voltar-se contra a população. Houve respostas à morte do Rúben, no bairro onde ele vivia, a Bela Vista. Aquilo que as notícias falaram foi de desacatos entre jovens e polícias, com caixotes do lixo incendiados e pedras arremessadas contra os vários agentes ali deslocados. Aquilo que as notícias não falaram é que a polícia se deslocou em força para o bairro, provocando situações de violência que, convenientemente, justificam as acções policiais. A comunicação social tem difundido informações que estigmatizam a Bela Vista, fazendo passar a ideia de que aquele é um bairro onde a polícia é obrigada a intervir devido ao ambiente perigoso. Fica assim legitimada a violência sobre as pessoas, no momento em que o bairro está de luto pela morte de um rapaz cuja vida foi interrompida.

     

    Independentemente dos factos ocorridos naquela tarde e do resultado da autópsia, disparar uma arma durante a perseguição de uma mota resultará, inevitavelmente, no seu despiste. Os agentes da polícia estão, certamente, conscientes deste facto.

    Infelizmente, quem necessita de andar fortemente armado com uma postura intimidatória para demonstrar o seu poder não tem, naturalmente, o respeito. Perante isso não existe outra forma de se fazer respeitar que não pela violência e os disparos.

     

    E agora?
    Nunca nada acontece aos agentes que matam nas ruas ou espancam nas esquadras. No dia seguinte podem continuar a exercer as suas funções normalmente. A presença da polícia nos bairros gera, na maior parte dos casos, violência. E a forma como actua, sem olhar a meios, é consequência da impunidade de que goza. É isto que Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, não compreende ou não pretende compreender quando exige, ao Ministro da Administração Interna, mais policiamento, seja ele musculado ou de proximidade: estas situações acontecem precisamente porque a polícia anda demasiado próxima.O que aconteceu no passado dia 16 de Março não foi um caso isolado. Isto tem acontecido com frequência nos últimos anos, resultando em mortes e feridos às mãos da polícia (ver caixa), pois a morte do Rúben não se explica sozinha nem se circunscreve ao bairro da Bela Vista.O facto de ter sido junto a esse bairro que isto aconteceu, apenas é relevante para se perceber que nos bairros sociais a violência da actuação policial é, na maioria das vezes, muito maior e implacável que no «resto» da sociedade.Serve também para alertar para o perigo de silêncio e esquecimento, já que para fora dos bairros pouco passa além do que as televisões e a polícia deixam passar. Este silêncio e este isolamento são razões de força na explicação da actuação policial. Ao poder e à polícia interessa-lhes a de barreiras entre os guetos e a sociedade dita «normal». Esse é o seu maior receio, que a comunicação se estabeleça de um lado para o outro, fazendo pontes, mas também que se identifique publicamente que a polícia serve para defender o dinheiro dos bancos e para proteger os políticos da revolta nas ruas.No final de contas, sem uma polícia fortemente armada, a austeridade não seria imposta; sem uma polícia pronta a espancar, o silêncio não seria a regra e, mais importante, sem uma polícia pronta a disparar muitos ainda estariam vivos.

    Cronologia recente e incompleta de mortes em operações policiais

    16-03-2013
    Rúben Marques (18 anos)
    Manteigadas, Setúbal.
    Perdeu a vida em despiste de mota após perseguição e disparos efectuados por agen-
    tes da PSP.

    04-08-2012
    Flávio Rentim (18 anos)
    Campolide, Lisboa.
    Atingido mortalmente no pescoço por agente da PSP durante perseguição pedonal na linha ferroviária.

    09-07-2012
    José Ferreira, “Crespo” (21 anos)
    Fânzeres, Gondomar.
    Atingido mortalmente por disparo de miltar
    da GNR após perseguição policial.

    15-03-2010
    Nuno Manaças “MC Snake” (30 anos)
    Travessa de S. Domingos, Benfica, Lisboa.
    Atingido mortalmente nas costas por disp-
    aros de agente da PSP após perseguição
    policial.

    13-01-2010
    Álvaro Sérgio (27 anos)
    A43 (IC29), Gondomar.
    Atingido mortalmente nas costas por disparos de militar da GNR após perseguição
    policial.

    30-05-2009
    Antonino Vieira, “Toninho Tchibone”
    (23 Anos)
    Portimão, Algarve.
    Atingido na nuca por disparo de militar da GNR após perseguição policial.

    13-02-2009
    Tiago Correia, “Seedorf” (20 Anos)
    Pontes, Setúbal.
    Atingido no rosto, por disparo de agente da PSP, após perseguição policial. Faleceu no hospital.

    04-01-2009
    Elson Sanchez “Kuko” (14 anos)
    Bairro de Santa Filomena, Amadora.
    Atingido por agente da PSP na cabeça, a menos de meio metro de distância, após
    perseguição policial.

     

     

     

  • Saiu o nº 1 do MAPA

    Saiu o nº 1 do MAPA

    As páginas centrais deste primeiro número do jornal Mapa são dedicadas à violência quotidiana que o capitalismo e, concretamente, o Estado português impõe nas nossas vidas.

    Poucos dias antes do fecho da edição, mais um miúdo morreu às mãos da polícia.replica franck-muller watches

    Numa tarde de Sábado, dia 16 de Março, Rúben, um jovem Setubalense de 18 anos, morreu na sequência de um despiste ocorrido durante uma perseguição policial que envolveu disparo de armas

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    de fogo pelos agentes da PSP . Desde logo, nos principais meios de comunicação, os relatos divergem, mas todos são unânimes ao apontar que o jovem desrespeitou um sinal de trânsito, que não usava capacete e que não parou quando a polícia o mandou.


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  • Concentração de protesto contra a violência policial e solidariedade com Rúben Marques

    Concentração de protesto contra a violência policial e solidariedade com Rúben Marques

    CONCENTRAÇÃO CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL

    Sábado, 23 de Março, Praça do bocage, Setúbal, 11:00h

    No dia 16 de Março, na Bela Vista, o Rúben Marques, de 18 anos, morreu vítima de uma perseguição policial. Num triste evento, que se vem repetindo ao longo dos anos em diferentes bairros, a polícia recorre sistematicamente ao uso de armas de fogo acabando por matar, directa ou indirectamente, jovens de bairros ditos “sociais”.
    Tony, Angoi, Corvo, Kuku, Seedorf, Toninho, MC Snake, Rúben Marques, PTB, Flávio Rentim, Crespo, Tete e MUITOS outros já morreram e nunca foi feita justiça.
    Para que este tipo de situações não replica vacheron constantin watches esquecidas nem voltem a acontecer, apelamos à participação

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    numa Concentração de repúdio à acção policial e em solidariedade com as vítimas e familiares.

    Sábado, às 11h na Praça do Bocage, em Setúbal
    Microfone aberto para dar voz a cada um de nós!

    Subscrevem a convocatória,

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    entre outros:
    Indivíduos preocupados
    Prima Folia
    Terra Livre
    Jornal Mapa
    ACED Associação contra a exclusão pelo Desenvolvimento
    Zulunation-Portugal
    GIP Grupo de Intervenção nas Prisões

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    acrescentem o nome do vosso colectivo à lista e divulguem.
    Não deixemos a Bela Vista remetida ao isolamento!)

  • A evolução do bastão

    A evolução do bastão

    É digna de nota a evolução organizacional das polícias, com a criação de corpos mais especializados a partir das décadas de 1970/1980, quando, em resposta à actividade de diversos grupos armados, também o Estado português recriaria em 1986 o seu serviço secreto, perdido em 1974 com a extinção da PIDE-DGS, e criaria, ainda em 1979, um Grupo de Operações Especiais dedicado à contra-subversão armada, que conta actualmente com cerca de 200 efectivos.

    O Corpo de Intervenção seria criado no rescaldo do processo revolucionário, em 1976, substituindo a antiga Polícia de Choque e contando actualmente com cerca de 700 efectivos. A partir de 2008, estas duas unidades seriam agregadas a uma Unidade Especial de Polícia, em conjunto com o Corpo de Segurança Pessoal, dedicado à protecção das altas figuras do Estado, as equipas de inactivação de explosivos e as unidades cinotécnicas da PSP.

    No âmbito da recomposição dos serviços secretos, seriam criados dois serviços de inteligência civis, nomeadamente o Serviço de Informações e Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas e de Defesa (SIED), respectivamente para fins de segurança interna e externa, assim como um Serviço de Inteligência Militar (SIM). Segundo a Wikipédia, em 2005, do orçamento de 27 milhões de Euros alocados ao SIS, responsável, entre outras coisas, pela monitorização dos grupos radicais, 820 mil destinar-se-iam ao pagamento de informadores. Por sua vez, o SIED notabilizou-se recentemente, na comunicação social, pelas ligações promíscuas estabelecidas, entre chefias deste serviço e o grupo económico Ongoing, assim como pela ligação de membros da sua direcção a lojas maçónicas próximas ao poder.

    Em 2008, seria criado um Sistema de Segurança Interna (SSI), englobando os diferentes serviços de informações e diversas estruturas de audição, decisão e controlo, presidido por um Secretário-Geral da Segurança Interna colocado na dependência directa do Primeiro-Ministro. Assim, existe um Conselho Superior de Segurança Interna adido à Presidência do Conselho de Ministros, onde se inserem o Secretário-Geral do SIRP e diversas autoridades governamentais. Forma ainda parte desta estrutura um Gabinete Coordenador de Segurança, que conta, entre as suas atribuições, com a responsabilidade pela elaboração do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). É ainda digna de nota a existência de uma Unidade Contra-Terrorista (UCAT), formada pelos diferentes serviços secretos e policiais.

    Na esteira da organização de grandes eventos, como o Euro 2004 ou a Cimeira da NATO de 2010, segue o reforço dos meios policiais. Na sequência do Euro 2004, foram admitidos 150 novos agentes para o Corpo de Intervenção e adquirido um conjunto de equipamentos avaliado em 75 milhões de Euros, incluindo armaduras anti-traumáticas, capacetes, escudos aperfeiçoados, shotguns e pistolas-metralhadoras. Também a preparação dos agentes e as tácticas policiais sofreriam um aprimoramento considerável. Para a Cimeira da NATO, a PSP viu-se apetrechada com um conjunto de equipamentos avaliados em 5 milhões de Euros, incluindo as cinco viaturas blindadas, 45 viaturas de transporte para as Equipas de Intervenção Rápida, escudos, capacetes, gás-pimenta, gás lacrimogéneo, assim como equipamento destinado ao bloqueio de telemóveis e diverso material para montagem de barreiras e pontos de controlo.

    A lei de programação das forças de segurança, de 2006, duplicaria o investimento previsto para as forças de segurança, traduzindo-se na compra de novas viaturas, armas, material de comunicação e meios informáticos. Foi programada a aquisição, até ao ano de 2012, de 42 mil pistolas semi-automáticas Glock, com carregador para 15 munições e calibre de 9mm, superior ao das anteriores Whalter PP, e que começariam a ser entregues em 2010. As armas de choques eléctricos «Taser» fariam a sua aparição em 2006.

    As autoridades portuguesas estudaram atentamente os motins nos subúrbios parisienses de 2005, enviando observadores para junto das autoridades francesas. Por essa altura, também o SIS se interessou pelos bairros sociais, analisando a eventualidade de uma repetição de acontecimentos semelhantes em território nacional. As autoridades tendem a reagir de forma musculada quando notam indícios de alteração nos bairros e a UEP é mobilizada fácil e ostensivamente. Existe igualmente a tendência da Polícia para efectuar operações de grandes exposição mediática e com ampla mobilização de meios quando confrontada com um aumento na criminalidade apercebida pela opinião pública, colocando bairros inteiros a cerco com resultados geralmente medíocres, mas que servem como demonstração de força.

    O descontentamento social preocupa visivelmente as autoridades. O Corpo de Intervenção é alvo de uma formação contínua e treina-se frequentemente para situações de confronto com manifestantes. Os relatórios do SIS pintam a actividade dos grupos radicais em termos frequentemente alarmistas e apontam, denotando uma certa falta de imaginação, para a repetição de cenários semelhantes aos do PREC. As grandes manifestações, como a de 15 de Outubro último, cujos participantes não escapam à filmagem pela Polícia, têm sido seguidas atentamente por parte dos poderes políticos. Por seu turno, os membros do Governo têm sido alvo de uma segurança reforçada. O Primeiro-Ministro é seguido neste momento por três equipas do Corpo de Segurança Pessoal da Polícia, totalizando 15 agentes. O Ministro da Administração Interna e o mediático Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, também terão sido alvo de um reforço de segurança.