Desculpa, mas não encontramos nada.
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Lendo: Sanções a brincar
A Comissão Europeia (CE) propôs finalmente a suspensão parcial de Israel do seu programa de investigação científica Horizon.
Após anos de financiamento de investigação ligada ao sector militar israelita e ao fim de avanços que, afinal, eram recuos 1 2 3, a Comissão Europeia propôs suspender parcialmente Israel do seu programa de investigação científica Horizon, no valor de 80 mil milhões de euros, alegando a «grave» crise humanitária em Gaza.
Um passo da União Europeia (UE) provocado pelo números colossal de mortos e pela visibilidade da forme que está a ser infligido ao povo de Gaza. O genocídio é agora impossível de esconder ou mitigar e o papel da UE no financiamento da violência está sob escrutínio.
Esta relação entre a UE e Israel já vem de longe, como se sabe. E é tão profunda que, em 2009, o antigo chefe da política externa da UE, Javier Solana, chegou a declarar que «Israel é, se me permitem dizer, um membro da União Europeia sem ser membro das instituições. É membro de todos os programas da UE, incluindo os programas de investigação e tecnologia».
Até agora, a Comissão não conseguiu que os Estados-Membros concordassem em suspender o acesso de Israel ao financiamento do programa Horizonte. O antigo diplomata de topo da UE, Joseph Borrel, considerou a proposta uma «piada de mau gosto» e afirmou que teria pouco impacto na pressão sobre Israel. «Se esta é a única resposta que a Comissão Europeia é capaz de dar face ao que Israel está a fazer, é uma piada. Uma piada de mau gosto. E os Estados-Membros da UE nem sequer foram capazes de a aprovar», afirmou.
Apesar da pomposidade do anúncio, a suspensão de Israel do programa Horizon é «parcial» e abrange apenas o acesso das pequenas empresas em Israel ao acelerador do Conselho Europeu de Inovação, um programa no valor de 10,1 mil milhões de euros.
«Há muitas outras medidas significativas que poderiam ser tomadas», afirmou Borrel, argumentando que a Comissão deveria propor a suspensão do acordo comercial com Israel, o que poderia fazer com que Israel perdesse 1 bilhão de euros por ano em benefícios comerciais da UE.
«Acredito que a sociedade israelita deveria pagar um preço significativo pelo que os colonos estão a fazer na Cisjordânia», disse ele. «Sei que nem todos os israelitas são responsáveis, mas eles permitem que isso aconteça», acrescentando que «por muito menos do que isto, retirámos os vistos de cidadãos de outros países. Sancionamos milhares de pessoas na Rússia por menos do que isto».
À luz do apoio contínuo da UE à guerra de aniquilação de Israel em Gaza, a opacidade e o sigilo sobre a ética e os resultados dos projectos de investigação são talvez apenas um problema menor. No entanto, o apoio inabalável da Europa em ambos os contextos é revelador da forma como o programa de investigação em matéria de segurança dá prioridade aos lucros das empresas e à estratégia geopolítica.
Foto:
Porto, 20/04/2024 – Ocupação da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
@julianji.matti
@ativismo.em.foco
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