Desculpa, mas não encontramos nada.
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Lendo: UE dá «luz verde para o genocídio» a Israel
Israel não enfrentará quaisquer sanções antes de Outubro por parte de uma União Europeia (UE) que é «o principal motor da economia de genocídio» desse país e que lava as mãos com um acordo «humanitário» invisível.
Estava toda a gente em suspenso à espera das possíveis iniciativas contra Israel que Kaja Kallas, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, iria apresentar na terça-feira (15 de Julho) ao Conselho dos Negócios Estrangeiros. No entantio, no dia ansiado, à saída de uma reunião dos ministros dos negócios estrangeiros da UE em Bruxelas, Kallas anunciava: «Manter-nos-emos atentos à forma como Israel implementa o acordo e faremos uma actualização do seu cumprimento de duas em duas semanas». Ou seja, uma mão cheia de nada, para além de sangue.
«Manteremos as opções [de sanções] em cima da mesa e reagiremos se Israel incumprir», afirmou, tendo em perspectiva a próxima reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, prevista para 6 de Outubro. Agora, os diplomatas vão a banhos e, até ao final das férias de Verão, as pessoas que vivem em Gaza podem continuar a ser massacradas. A Comissária Kallas elaborou esta espécie de estudo sobre eventuais sanções na sequência da sua «análise» das acções de Israel, segundo a qual este país é culpado de utilizar a «fome» como arma de guerra, de matar civis «indiscriminadamente», de «apartheid» e de «torturar» prisioneiros.
A principal opção em análise era o congelamento das regalias de comércio livre de Israel na UE, ao abrigo de um acordo de associação UE-Israel, no valor de cerca de mil milhões de euros por ano para as empresas israelitas. O objetivo da UE «não é punir [Israel], mas melhorar a situação no terreno [em Gaza]», disse Kallas. A ministra austríaca dos Negócios Estrangeiros, Beate Meinl-Reisnger afinou pelo mesmo diapasão, afirmando que a UE precisa de manter abertos os canais de comunicação «especialmente entre amigos [Israel]» para melhorar a situação em Gaza.
O vice-ministro irlandês dos Negócios Estrangeiros, Thomas Byrne, uum dos derrotados, afirmou: «Muitas pessoas à volta da mesa [na reunião de terça-feira da UE] não queriam mais nenhuma ação [contra Israel]». Para além das sanções comerciais, os 26 Estados-Membros concordaram em colocar na lista negra os colonos israelitas mais extremistas, mas a Hungria, o principal aliado de Israel na UE, vetou essa medida, afirmou ainda Byrne.
Para a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, «a recusa da UE em suspender o seu acordo [comercial] com Israel é uma traição cruel e ilegal – do projecto e da visão europeia. Os líderes europeus tiveram a oportunidade de tomar uma posição de princípio contra os crimes de Israel, mas em vez disso deram-lhe luz verde para continuar o seu genocídio em Gaza».
Para lavar as mãos da UE, Kallas tinha, já antes (10 de Julho), feito um acordo «humanitário» com Gideon Sa’ar, ministro israelita dos Negócios Estrangeiros. Refira-se que este acordo foi meramente verbal e não um texto com números e datas para a entrega de ajuda, pelo que não há propriamente nada que possa ser analisado quanto à sua bondade ou possível eficácia. «Há mais camiões e mantimentos que já estão a chegar a Gaza, mais pontos de passagem estão abertos, vemos o abastecimento eléctrico a ser reparado», afirmou a Comissária.
Também do lado dos derrotados, o Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, disse que permitir a entrada de alimentos e medicamentos em Gaza era um «mínimo indispensável» e que a UE deveria, de qualquer maneira, impor um embargo de armas a Israel devido à «violência injustificável em Gaza». O acordo de ajuda de Kallas é uma «migalha», afirmou por seu lado Bushra Khalidi, da Oxfam. «A ajuda por si só não pode parar esta catástrofe. Não podemos continuar a assistir à morte de crianças e dizer “estamos a fazer progressos”», acrescentou.
A voz do dinheiro
Se seguirmos o dinheiro, como mandam as regas básicas de análise em capitalismo, podermos ter uma ideia do que o povo palestiniano enfrenta neste momento. O SOMO, Centro de Investigação sobre Empresas Multinacionais, que investiga os impactos e os factores que facilitam o poder injustificado das empresas, publicou alguns números:
Os Estados-Membros da UE detinham 72,1 mil milhões de euros em investimento estrangeiro em Israel em 2023 (em comparação com 39,2 mil milhões de euros nos EUA). As exportações da UE para Israel também aumentaram mil milhões de euros, atingindo 26,7 mil milhões de euros em 2024. E a bolsa de valores israelita disparou 213% nos últimos 21 meses de guerra, o que significou um ganho de mercado de 194 mil milhões de euros. Em suma, «a UE é o principal motor da economia de genocídio de Israel», conclui o SOMA.
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Porto, 30 de Maio de 2024
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