Desculpa, mas não encontramos nada.
Desculpa, mas não encontramos nada.
Lendo: O MAPA no Mastodon
Por estes dias, a atenção humana, recurso escasso e valioso, é um dos motores da economia, o grande objectivo empresarial e um símbolo de poder no capitalismo digital. É essa atenção, esse tempo passado em scrolls e likes, que alimenta as Big Tech com dados que vão usar em seu proveito, quer queiramos quer não. São todos os gostos e horários e localizações e sabe-se lá que mais que cada pessoa vai deixando a cada clique que, depois, serão vendidos a parceiros das empresas que os extraem, alguns deles com intenções dúbias, o que permite que muitos dos serviços que mais se utilizam sejam aparentemente gratuitos.
Na verdade, são pagos e bem pagos. A moeda de troca são os nossos dados e a factura é sobre a nossa privacidade, a nossa individualidade e, no limite, sobre as próprias escolhas que fazemos, a forma como pensamos ou agimos. É o extractivismo levado até ao nível mais ousado, mais profundo, mais inimaginável. Somos nós a pedreira da qual retiram a matéria-prima para, depois, nos manterem ligados, como uma mina em funcionamento permanente.
O Jornal MAPA não colhe nem comercializa dados. No entanto, não escapa à máquina «gratuita» de divulgação que a Meta fornece e tem-se submetido ao totalitarismo do Facebook e do Instagram. O alcance que estas plataformas permitem é um dos pratos duma balança que, no outro, contém a alimentação da própria máquina extractivista que se quer destruir. Qual dos pratos pesa mais é uma questão sempre discutível, mas a história tem-nos contado que não se pode confiar nas ferramentas dum regime para o destruir. Quando se confia, por norma, é o regime quem prospera.
O Jornal MAPA tem um site próprio, afastado das garras das multinacionais, mas tem também a consciência de que uma parte importante do seu pouco tráfego provém exactamente de posts nas plataformas da Meta. Tem também a noção de que algumas das pessoas que, com a sua assinatura, garantem a sua continuidade tiveram o seu primeiro contacto com o jornal através da Internet. Abandonar súbita e definitivamente estas formas de divulgação é também abandonar parte da gente que tem feito algum caminho com este projecto.
Pelo que a decisão foi a de ir saindo, meio com estrondo meio de fininho, mudando de casa, avisando os amigos sobre a nova morada, os novos percursos, e tentando levar cada vez mais pessoas para a vizinhança, para uma nova comunidade, onde o algoritmo seja cada um de nós e onde os nossos dados não sejam mercadoria minerável.
Como primeiro passo, temos o prazer de anunciar que nos juntamos ao Mastodon onde se pode continuar a seguir o Jornal MAPA. Mesmo que não queiram fazer o mesmo, não deixem de nos seguir, desta vez em território não extractivista, sem algoritmos, com melhores controlos de filtragem, ausência de conteúdo patrocinado e maior interação entre utilizadoras.
Segue-nos em: masto.pt/@jornalmapa

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