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Lendo: Violência Assintomática!

Violência Assintomática!

Violência Assintomática!


É só mais um! Sentes alguma coisa?

Mais uma pessoa morreu à guarda do estado que a considerava um número, um número no meio de milhares de outros números identificados na comunicação social como recluso, detido, raramente identificando-os com o nome, retirando-lhes o lugar de filho/a, pai/mãe, companheiro/a, desumanizando-os socialmente. Raramente, porque esta retirada de cidadania, de direitos humanos é 99% imposta à classe social baixa, maioritariamente de cor, deixando de fora aquele 1% que representa os colarinhos brancos, onde os seus direitos são respeitados e a quem a instituição prisional trata por sr. doutor, engenheiro ou “o cidadão”.

Essa pessoa, esse número, esse recluso/a, fora dos muros tem nome, é filho, companheiro/a, estudante, trabalhador/a e possivelmente tentava construir o seu futuro fora da bolha à qual tinha sido condicionado pelas instituições que mantêm um racismo sistémico intrínseco na história europeia, do qual a economia se alimenta.

Danijoy Pontes, 23 anos, morreu no dia 15 de setembro 2021, nesse dia morreram mais dois “reclusos” (escrevemos reclusos, porque nas notícias é a única informação que existe. Não há nomes).

Segundo o JN 1 todos os reclusos tinham “problemas de saúde diagnosticados”, o que levou a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais a apontar como causa de morte “doenças antigas e diagnosticadas”, o que é contrariado pela família de Danijoy que afirma que não lhe faltava saúde, mas que era medicado pelo EPL, sem se perceber porquê.

Em 2020 morreram 75 reclusos, 54 por doença e 19 por suicídio.

Partilhamos o comunicado e pedido de apoio da família de Danijoy porque “toda a solidariedade é bem-vinda e indispensável para que se faça justiça: justiça por Danijoy.“

Numa entrevista á RSTP – A Voz Do Povo 2 Alice Santos, mãe de Danijoy desabafa “Quem morreu não é cão. Tem família, é estudado. Tem uma família que se preocupa com ele (…) Então eu quero justiça na morte do meu filho. Eu quero a justiça.

Apoia por todos os Danijoy aprisionados dentro e fora dos muros!

P.S..: O tema das prisões tem sido tema recorrente no Jornal Mapa. Um dos trabalhos, Prisões: O Bode Espiatório 3 transcreve uma entrevista a António Pedro Dores, professor universitário e sociólogo. No nosso arquivo podes encontrar mais artigos sobre as prisões em Portugal e não só.

Comunicado da família de Danijoy Pontes, aos 22 de Setembro de 2021

Danijoy Pontes, nosso filho e irmão, morreu, com 23 anos, à guarda do Estado, no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), na madrugada de 15 de Setembro de 2021, tendo nós, a família, apenas sido informados que este teria falecido durante o sono.

Sete dias após a morte, não fomos mais contactados por qualquer entidade e continuamos sem saber as circunstâncias e causa da sua morte. A última vez que a mãe falou com ele, Danijoy estava bem – eram cerca de 18h.

A história de detenção de Danijoy desde o início que não foge à regra da desproporção das medidas de coação quando se trata de jovens negros. Danijoy esteve 11 meses em prisão preventiva, ultrapassando o tempo recomendável de 6 meses e ainda que estivessem reunidas todas as condições para aguardar julgamento em liberdade.

Apesar dos nossos pedidos de reapreciação, a medida de coação nunca foi alterada. Foi condenado a 6 anos de prisão, em cúmulo jurídico, mesmo não tendo qualquer antecedente criminal e desconsiderando o significado de uma pena tão pesada numa vida tão jovem. Danijoy entrou saudável no EPL. Apesar disso, foi sistematicamente medicado durante a sua estadia sem que nada aparentemente o justificasse e sem que alguma vez tivéssemos sido informados sobre as razões.

Danijoy gostava de cozinhar, gastronomia portuguesa, francesa e africana. Concluiu o ensino secundário como técnico de cozinha/pastelaria em 2019 na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa e estagiou no Hotel Mundial.

Estava a dar passos para construir a sua vida. Trabalhou no Cateringport, no Aeroporto de Lisboa e aquando da sua detenção estava a tratar de documentos para se empregar na Junta de Freguesia de Santa Iria.

Nós, a família, exigimos, com a maior celeridade, o apuramento das circunstâncias e as causas da sua morte. Tendo esta morte ocorrido sob tutela estatal, exigimos a averiguação de responsabilidades. Toda a solidariedade é bem-vinda e indispensável para que se faça justiça: justiça por Danijoy.

NOTA: A família de Danijoy Sousa Pontes precisa de ajuda para enfrentar as despesas que a situação acarreta. Dados bancários da Dona Alice Santos, mãe de Danijoy 4:
Mbway: 925016881
NIB: 0035 0209 0001 6066 8306 9
IBAN: PT50 0035 0209 0001 6066 8306 9


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Jornal Mapa

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