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Lendo: Projecto parto na água suspenso no Hospital de Setúbal

Projecto parto na água suspenso no Hospital de Setúbal

Projecto parto na água suspenso no Hospital de Setúbal


  Foto retirada da página de facebook “Parto na água em Portugal”

Foto retirada da página de facebook “Parto na água em Portugal”

Foi encerrado, a 11 de Julho deste ano, o único serviço público de partos dentro de água da península Ibérica, que funcionava no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

Após a Ordem dos Médicos ter publicado um parecer desfavorável a esta prática, o Director do Serviço de Obstetrícia do Hospital São Bernardo, em Setúbal, pede recomendações à Direcção Geral de Saúde (DGS), que responde declarando que a decisão pertence ao médico director clínico. Sabendo que se trataria de uma questão de dias, uma vez que o director já se havia mostrado contra o parto natural dentro de água, é a própria equipa de enfermagem obstétrica que encerra o serviço.

Esta acção foi recebida com descontentamento junto das mais de 4.000 pessoas que assinaram uma petição pela reabertura do serviço, a qual foi enviada à Assembleia da República, mas também por parte da Ordem de Enfermeiros (OE), que declarou oficialmente haver um atropelo à autonomia das funções que são da competência desta classe. Segundo os regulamentos oficiais das actividades dos enfermeiros, estes têm capacidade e autonomia para auxiliar o parto, não sendo em geral necessária a presença de um médico. Numa contestação escrita ao parecer da DGS, o OE argumenta que “a imersão e o parto na água, enquanto parto natural, inserem-se totalmente nas intervenções autónomas e são da competência dos enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (…) pelo que o aval/prescrição médica prévia é totalmente despropositado para a Ordem dos Enfermeiros e ofensivo para os enfermeiros”. Nesta mesma declaração da OE encontra-se um gráfico que demostra a taxa de sucesso dos partos naturais e os bons resultados que o serviço estava a demonstrar, seguindo os objectivos da Organização Mundial de Saúde.

Mulheres de vários pontos do país deslocavam-se a Setúbal para usufruir deste serviço, o único no Sistema Nacional de Saúde. Apesar de este ter encerrado, o parto dentro de uma piscina própria para o efeito continua a decorrer em clínicas privadas, porque não existem riscos para a saúde, desde que haja alguma vigilância e se trate de uma gravidez normal.

O parto dentro de água tem sido objecto de muitos estudos e têm-se comprovado vários benefícios, nomeadamente o alívio de dor, liberdade de movimento e maior relaxamento, o que se traduz em partos mais rápidos, menos dolorosos e com menos recursos a intervenções artificiais – como cesarianas, episiotomias, uso de fórceps, medicação, etc. Não menos importante é o direito à privacidade e o respeito pelo ritmo natural do corpo da mulher, outros benefícios deste tipo de partos.

A violência obstétrica durante o parto hospitalar, por outro lado, é uma realidade para uma grande parte das mulheres portuguesas, que estão sujeitas a práticas e regras que servem apenas para conveniência dos médicos, como por exemplo a obrigação de permanecer deitadas, não poder comer durante todo o trabalho de parto, receberem medicação intravenosa sem explicação prévia, o uso de fórceps mesmo quando a mãe prefere continuar a fazer força naturalmente, episiotomias “preventivas”, etc. O grupo Mães d’Água, responsável pela petição que circulou em Julho, tem divulgado informações sobre o assunto e reunirá com a administração do hospital a 22 de Setembro, para tentar negociar a reabertura do serviço. O contacto do grupo é partos.agua@gmail.com.

 M. Lima
m.lima@dev.jornalmapa.pt

 


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