Desculpa, mas não encontramos nada.
Desculpa, mas não encontramos nada.
Lendo: Os tentáculos da secil
Um bom exemplo de uma empresa de alta rentabilidade é a empresa Secil, do Grupo Semapa, que se dedica à produção de cimento, o material mais consumido pelo homem depois da água. As suas fábricas encontram-se junto a pedreiras de onde se extrai a sua matéria prima: o calcário e a argila. Para esta extracção procede-se à dinamitação de lugares de pouco interesse, tais como Serras e Bosques… Uma vez extraída, a argila é transformada em Clínquer (o principal componente do cimento) por meio de fornos de altas temperaturas onde também se co-incineram vários tipos de combustível que, em parte, são biomassa produzida por outras empresas do mesmo grupo da Secil e, em parte, resíduos perigosos recuperados de outras indústrias. A co-incineração de resíduos perigosos é um serviço pago e, deste modo, não é preciso investir em energia resultando isto num aumento dos rendimentos do grupo económico..
Assim, temos uma empresa bem sucedida que de facto tem um ritmo constante de expansão e crescimento que custa a acompanhar. O seu desenvolvimento foi tão rápido que em poucos anos conseguiram absorver várias outras empresas, eliminando a concorrência e quase monopolizando a sua área de actividade. Para além de Portugal, onde conta com várias fábricas e entrepostos, continua a sua expansão além fronteiras.
Mas existe um reverso da moeda e surgiram alguns problemas. Em Setúbal, a população que parecia já descontente com a presença das pedreiras na serra da Arrábida reagiu imediatamente contra a instalação da co-incineração com protestos, manifestações e campanhas – talvez porque não queriam aceitar a ideia de viver debaixo de uma nuvem de furanos e dioxinas, altamente cancerígenos e prejudiciais para a saúde.
A consequência desta reacção traduz-se na perda de tempo, e portanto de dinheiro, assim como numa péssima reputação para esta empresa. A solução é fácil e a Secil pinta-se de verde: contratam-se uns técnicos de marketing, uns engenheiros e psicólogos do ambiente e prepara-se uma campanha de desenvolvimento sustentável fazendo crer as pessoas que esta empresa é fundamental para o desenvolvimento da região. Como? Fazendo alguns amigos,
A Secil quer fazer acreditar que o desenvolvimento económico, enquanto gerador de riqueza, é sempre compatível com o respeito pelo património ambiental do planeta. Como se a natureza se renovasse ao mesmo ritmo da sua destruição. Como se fosse possível prolongar até ao infinito os actuais níveis de desenvolvimento/produção. Como se o consumo dos recursos naturais, proporcional ao desenvolvimento económico, pudesse ser sustentável para gerações futuras.
A ideia de progresso e desenvolvimento económico, tão cara às sociedades modernas, implica um total ordenamento do território que investe na escravatura da terra com vista à produção de riqueza para o homem. Aquelas restantes e isoladas ‘zonas verdes’ são denominadas parques, ou “parque natural”, para ser exploradas por outros sectores como o turismo, por exemplo. Este modo de vida tornou todos os lugares numa uma grande fábrica. Quer queiramos quer não dela fazemos todos parte, uns como directores outros como arquitectos e outros ainda como peões. Negoceia-se a exploração e dependência do trabalho sob o mote da prosperidade, qualidade de vida e abundância. No final, a maioria apenas trabalha para mal viver. Para continuar a funcionar, esta grande fábrica precisa tanto da mentalidade capitalista do desenvolvimento económico como daquela verde alternativa da esquerda, ou daqueles que a pretendam aperfeiçoar ou melhorar.
Não será nunca a politica que acabará com a exploração do homem e da terra. É uma boa questão o modo como cada um de nós poderia, à sua maneira, recuperar a sua autonomia e libertar-nos desta sucata.
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