shop-cart

Lendo: Presos em luta no Estabelecimento Prisional de Monsanto

Presos em luta no Estabelecimento Prisional de Monsanto

Presos em luta no Estabelecimento Prisional de Monsanto


Quinze reclusos do Estabelecimento Prisional de Monsanto iniciaram uma greve de fome e de sede reivindicando o fim das restrições que continuam a sofrer, impostas com as medidas da pandemia, e que fora de muros praticamente já não existem. A situação foi denunciada no dia 13 de Maio pela APAR – Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso.

Há dois anos que os reclusos estão proibidos de frequentar a biblioteca e o ginásio, a cantina não tem praticamente nada para venda e as máquinas automáticas só vendem bolos e doces, numa prisão onde as visitas estão impedidas de levar o que seja de alimentação para os seus familiares.

A situação de total abandono dos cárceres portuguesas – que pioraram com a pandemia – leva a que estes reclusos já só possam exigir o mínimo: que lhes seja autorizado receberem encomendas dos seus familiares e a possibilidade de comprar os produtos alimentares na cantina, desde o pão fatiado, queijo, fiambre e outras charcutarias, ao leite de soja, frutos secos, fruta variada, alface ou tomate. Contra o agravamento das condições de detenção a que estão sujeitos desde o início da crise pandémica, os presos em Monsanto reclamam ainda a abertura da biblioteca e ginásio.

O estabelecimento prisional de Monsanto, desde 2007 classificada como a única prisão de segurança máxima em Portugal, tem sido continuamente denunciado por impunidade total em torturas e maus-tratos a reclusos. Quem aí está preso fica confinado em cela individual numa média de 22h, as refeições tomadas individualmente na cela, e permitidas apenas duas horas de recreio altamente vigiadas. As atividades laborais e educativas possíveis, escassas e com pouca frequência, atualmente são praticamente inexistentes.

O isolamento extremo, aliado às péssimas condições de detenção, compromete seriamente a saúde mental e a vida para quem está encarcerado. Em Agosto de 2021 um recluso fez queixa à DGRSP denunciando o severo regime e as condições desumanas nesta prisão), reiterando as denúncias feitas ao longo dos anos, naquela que é em inúmeras ocasiões descrita como sendo a “Guantánamo de Portugal”

A prisão de Monsanto é também aquela que tem vindo a servir para castigar mais duramente aqueles que são acusados de desobedecer e pôr em causa a ordem prisional noutras prisões. No início da crise pandémica vários reclusos foram transferidos para esta prisão por terem denunciado a situação dentro das prisões através da publicação de vídeos nas redes sociais.

De acordo com o grupo de apoio a pessoas presas Vozes de Dentro, a crise pandémica veio agravar a situação nas prisões: «confinamentos e quarentenas nas prisões significaram uma extensão do regime de segurança máxima a grande parte da população prisional nas diversas prisões. Algumas das consequências diretas foram o aumento do número de suicídios que duplicou em 2020 e o aumento da violência institucional que de entre outras formas se traduz na sobremedicalização, que muitas vezes resulta na morte das pessoas reclusas às mãos do estado». Exemplo das mortes de Danijoy Pontes e Daniel Rodrigues no EP de Lisboa em Setembro de 2021 e de Miguel Cesteiro no EP de Alcoentre a 10 de Janeiro de 2022.


Written by

Jornal Mapa

Show Conversation (0)

Bookmark this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

0 People Replies to “Presos em luta no Estabelecimento Prisional de Monsanto”