Felizmente continua a haver luar (Julho 2018)

Foi ontem ou coisas que acontecem quando menos se espera

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O Charly é um tipo forte com uma cabeça que lembra o Bakunine. É normal, o rapaz vem de La Chaux-de-Fonds e desembarcou em Paris depois de uma longa viagem pelas obras de carpintaria na província francesa. Vive com a Bernadette, uma jovem parisiense luminosa, cheia de energia, que faz uns biscatos, aqui e ali, e que vive num pequeno quarto no sótão de um velho prédio da rua Mouffetard onde aos domingos nos encontramos para comer uma fondue de queijo à moda suíça. A Bernadette elegeu o Charly como amigo e como amante. Ela também gosta de mim, às vezes, quando ele volta à Suíça para rever a sua grande família proletária. Conhecemo-nos os três num campo de férias para jovens, organizado no Verão de 1967 numa aldeia do Sul de França. Durante a semana eu passeio o meu exílio melancólico nas ruas dos arredores de Paris, distribuindo nas caixas de correio uns prospectos publicitários para uma loja de móveis. Vivo mal, posso mesmo dizer, pobremente, comendo dia sim, dia não nos restaurantes universitários com as senhas que a Bernadette se desenrasca para nos obter. Finalmente, com o Charly, conseguimos um pequeno trabalho na associação Jeunesse et Reconstruction, que fica na rua de Trévise, lá para os lados dos Grands Boulevards. Na esquina da rua Richer, mesmo ao lado, fica o teatro das Folies Bergère, com grandes fotos de jovens mulheres ligeiramente vestidas com os corpos decorados com umas plumas de cores. Um pouco mais longe, está o Museu Grévin, com as figuras de cera de grandes vultos da História. A ideia agrada-me, os «grandes vultos» deviam ser só assim, de cera. A associação organiza campos de trabalho e viagens para jovens. Nós estamos encarregados das pequenas tarefas, preparamos o café, fazemos as compras e a limpeza, tratamos do correio. Fazemos também funcionar duas velhas máquinas offset que, na cave, imprimem os documentos e prospectos da associação, o jornal e o catálogo das actividades. Estamos no princípio de Maio de 1968 e a agitação estudantil já começou nas universidades, em particular em Nanterre. Nos últimos meses também tem havido greves e movimentos sociais importantes no resto do país. Mas tudo parece enquadrar-se no funcionamento conflitual normal da sociedade e das instituições, como eles dizem…

Durante as minhas deslocações «profissionais» às caixas de correio nos arredores de Paris, começo a cruzar-me, nas ruas, nas praças e nos mercados, com militantes do partido comunista que distribuem papéis alertando os trabalhadores contra o perigo dos estudantes «esquerdistas», que seriam manipulados pela burguesia. Tais ideias não me surpreendem. Para esta gente, o partido é quem sabe e tem a missão de proteger os trabalhadores, que são ignorantes por princípio. Mas digo para mim próprio que, se eles se mobilizam assim, é que a situação deve estar a ficar séria. As minhas leituras, e também a minha experiência, embora limitada, já me tinham permitido formar uma opinião acerca da natureza do partido comunista francês. Um dia, semanas após a minha chegada a Paris, tinha batido à porta de uma permanência do partido a pedir ajuda, visto o estado de isolamento e de fraqueza em que me encontrava. Após terem indagado da minha filiação ou não no partido e sugerido com arrogância que a deserção da guerra colonial talvez não tivesse sido a melhor escolha segundo a posição oficial do partido, estes detentores da Verdade quiseram vender-me um bilhete para a festa do Humanité, onde eu poderia encontrar os camaradas do partido irmão lusitano. Estando os meus meios financeiros limitados a uma sandes por dia achei a proposta claramente indecente. Furioso, decidi abandonar a leitura do chato Que faire?, do Lenine, que substituí pelo luminoso texto A Revolução Russa da Rosa Luxemburgo, que tinha descoberto numa livraria do bairro latino. Tinha dado mais uma volta à vida.
Mas voltemos a Maio de 1968. De repente, o movimento de contestação alarga-se, as manifestações sucedem-se, cada vez com mais violência policial e a participação de muitos trabalhadores, jovens e menos jovens, que na rua se misturam aos estudantes. As fábricas e empresas entram na greve, umas atrás das outras, e, embora o controlo dos sindicatos seja manifesto, há uma energia colectiva que cresce. O país está paralisado. É um sentimento raro sentir uma sociedade que pára, que se imobiliza, pelo simples (?) facto do poder que têm aqueles que a fazem funcionar. Como um motor que falha por falta de gasolina. Uma noite, depois de termos deixado as ruas esburacadas do bairro latino, a Bernadette, o Charly e eu decidimos ocupar o nosso posto de trabalho… Na manhã seguinte, perante o ar espantado e incrédulo dos empregados, anunciamos as nossas intenções. Algumas vozes exprimem uma tímida aprovação, mas a maioria fica a olhar para os sapatos com ar inquieto. E, chegados ao fim do dia, estamos só os três com as chaves do local! Uns amigos, contactados à pressa, juntam-se a nós. Os empregados desaparecem, vão para casa acompanhar os acontecimentos pela rádio, à espera das decisões dos políticos. A nossa ocupação é puramente simbólica. Instalamos umas camas de campismo, preparamos as refeições e conversamos. Forma-se assim uma pequena comunidade ligada pelo mesmo espírito. Na montra da loja colocamos uma faixa onde se pode ler: «Jeunesse et Reconstruction em greve, solidários com os estudantes e trabalhadores em greve». As tentativas para alargar a solidariedade aos vizinhos, à rua, revelam-se rapidamente infrutíferas, pior, desvendam um perigo que não tínhamos imaginado. Neste bairro de Paris, a comunidade dos retornados e antigos combatentes da guerra da Argélia é forte, controla os bares, cafés, restaurantes e pequenos comércios. Nota-se a presença da extrema-direita fascista. Poucos dias depois, somos atacados, os vidros da porta da rua são partidos, os muros exteriores recebem pinturas e símbolos nazis, nacionalistas e uma frase: «A França para os Franceses!». Esta gente tem uma imaginação muito limitada! Descemos as grades das janelas, barricamos a entrada e organizamos vigílias dia e noite. Enfim, instalamo-nos para o que der e vier.

Entretanto, através dos meus contactos e dos camaradas da revista de extrema-esquerda não leninista Cadernos de Circunstância — que eu tinha integrado um mês antes — chego até à universidade de Censier, para os lados da famosa Gare d’Austerlitz do fado emigrante. Comigo vieram a Bernadette e o Charly. O Fernando e o Manuel, circunstancialistas já com experiência, conheciam muita gente no local. Havia também o Américo, que tinha acompanhado a revista Socialisme ou Barbarie e que torcia agora pelos situacionistas. Eu sabia ainda pouco destas diferenças e fracturas, confiava apenas nas minhas opções não leninistas. Estávamos todos de acordo que havia que pôr de lado as actividades contra o malcheiroso regime salazarista e juntar as nossas limitadas energias a um movimento que se anunciava como uma onda de fundo capaz de transformar toda a Europa rica e, em consequência, de pôr de pantanas os regimes das tristes periferias do Sul.

Censier pareceu-me uma balbúrdia agradável e cheia de correntes de ar saudáveis. Havia assembleias por todo o lado, as discussões prolongavam-se nos corredores. Misturava-se gente de todos os países, exilados, emigrantes, jovens e velhos, trabalhadores e estudantes. Nos andares de cima começavam a organizar-se os Comités de acção, ideia que tinha sido lançada pelo movimento nas ruas e manifestações. Alguns existiam já nos bairros, outros iam-se criando, muitas vezes por iniciativa de grupos de trabalhadores e de empregados, que não podiam exprimir-se dentro dos seus locais de trabalho, dominados pela palavra única e exclusiva dos sindicatos. Havia até um comité de acção dos desertores portugueses da guerra colonial. Que eu aliás evitei, pois não me pareceu ser uma boa opção encerrar-me nessa categoria, respeitável diga-se de passagem.

Ando às voltas, ouvindo aqui e ali com curiosidade, e cruzo-me num dos corredores com uma moça que procura voluntários para traduzir os textos do comité de acção dos trabalhadores da construção civil para português. Sou acolhido por um outro gigante de grandes barbas, o Jean-Claude, electricista, sindicalista e anarquista. Entre nós a empatia foi logo forte, e ficaremos amigos para o resto da vida, embora na altura eu não o pudesse adivinhar… Bernadette e Charly integram os apoiantes do comité de acção dos trabalhadores dos Correios. Vamos assim partilhando a nossa vida entre as manifestações, as actividades dos comités de acção e a nossa ocupação simbólica. Prefiro dizer «a nossa vida», pois que «o tempo», esse está um pouco entre parenteses; parece não haver mais tempo, mas só um presente longo, quase constante. Vou com o Jean-Claude distribuir uns papéis nos bidonvilles portugueses dos arredores. E descubro uma estranha situação. A quase totalidade dos trabalhadores evita-nos, olha-nos com receio. O medo é palpável. Não compreende o que se passa, o comunismo ameaça as suas existências miseráveis. A opressão mental do regime fascista, o peso ancestral da Igreja, exprimem-se concretamente. Muitos preparam-se já para regressar à pátria protectora, que os salvará do diabo e do inferno. Um dia, um deles abre-nos a porta da barraca. O homem é membro do partido comunista e repete-nos o que lê no Avante e noutros lugares sobre o perigo dos «esquerdistas» manipulados pelos capitalistas. Mas falamos e há um contacto humano. Voltamos uns dias depois, mas a porta fica fechada, ele não está ou não se permite abrir-nos de novo. Por todo o lado a mesma questão, levanta-se um muro, o muro da separação. Mesmo as empresas ocupadas revelam-se parte do muro, o objectivo do sindicato comunista é sobretudo afastar a grande massa dos trabalhadores dos que lutam nas ruas, impedir o contágio das ideias.

A universidade de Censier é uma verdadeira caverna de Ali Babá, uma Arca de Noé onde se cruza todo o tipo de pessoas. Rapidamente identifico algumas personalidades com um ego exagerado e autoritário, e personagens com ar de padres que pregam as suas verdades. Mas a grande maioria dos presentes são seres de uma generosidade e de uma força excepcionais. Somos levados por uma situação que evolui continuamente. Procuramos soluções e respostas às questões levantadas pela dinâmica do movimento, tentando não perder o fio à meada, manter-nos fiéis à ideia do necessário alargamento da luta a partir da auto-organização. É a conclusão que tiro dos debates a que assisto e em que participo.

Na rua de Trévise, a situação não melhora. Nos boulevards o ambiente é animado, nas saídas de metro ainda abertas há sempre magotes de gente que discute, grupos que distribuem papéis, o movimento estendeu-se a toda a cidade. Mas, na nossa rua, estamos isolados. Quando regressamos, já de noite, tomamos as nossas precauções por causa das ratazanas fascistas. Há algum tempo que sabemos que possuímos um importante tesouro de guerra, que decidimos pôr ao serviço dos comités de acção de Censier: o material de impressão e o grande stock de papel e de tinta. Ora, para preservar este tesouro é necessário reforçar as nossas defesas e encontrar apoios nas redondezas. Após reflexão, descobrimos que temos ali perto uns aliados que até então tínhamos ignorado. As Folies Bergère, evidentemente! O teatro encontra-se também ocupado pelo pessoal técnico e por um importante contingente de bailarinas. Recentemente foram também atacados por um comando da extrema-direita, facilmente repelido com a ajuda das lanças de incêndio. Vamos bater-lhes à porta, Bernadette, Charly e eu próprio, e somos calorosamente recebidos pelo comité de ocupação, composto de alguns trabalhadores e de um alegre grupo de jovens bailarinas que, sem as plumas vermelhas da decoração, parecem bem mais confiantes nelas próprias. É um pessoal muito ligado ao sindicato comunista da CGT, mas que se mostra receptivo às nossas inquietações. Decidimos manter um contacto telefónico constante e eles comprometem-se a agir em nossa defesa à mínima tentativa de ataque. A partir desse dia passamos frequentemente no teatro, o que não é nada desagradável. Eles passam o tempo a jogar às cartas, bebem bem e parece evidente que alguns laços de amizade amorosa se vão instalando entre eles e elas. Respira-se um agradável sentimento de alegria e de liberdade. Mas a ocupação do teatro parece ser um fim em si, não se vê uma dinâmica de luta. Eles estão à espera, de quê, de quem?… Simpatizamos, falamos da revolução, eles vêem-nos como uns esquerdistas utópicos, sem mais…

De repente as coisas azedam. Uma noite, de regresso de Censier, descobrimos que as máquinas de imprimir desapareceram! Evidentemente, a acção só pode ter vindo de alguém que conhecemos, pois a porta da rua não foi arrombada. Não só conseguiram tirar as máquinas da cave como tiveram ainda tempo para escrever nas paredes umas frases de sabor «situacionista», tipo: «Abaixo os burocratas da autogestão!». Os burocratas éramos nós, e a autogestão os comités de acção… Uma parvoíce completa!
Ficamos muito zangados e, é claro, quem também não fica nada contente são os camaradas dos comités de acção para quem imprimíamos textos e papéis. É então que se forma um estranho comando, tipo Tcheka, dirigido por dois tipos rijos da área esquerdista-leninista que tinham uma presença activa em Censier – um deles tinha mesmo ganho a fama de ter ameaçado com o pelotão de execução todos os críticos do «marxismo científico»… A este par agregaram-se várias pessoas com tarefas subalternas na caça aos ladrões das máquinas, entre os quais eu e o Charly. Tudo se vai passar muito depressa; os indícios são muitos e os autores, gente de grande ingenuidade. O pobre rapaz que tinha pensado «criar uma situação», como diziam os seus mentores, é levado da sua casa e conduzido à rua de Trévise onde assistimos então a uma cena que nos choca profundamente. Os dois chefes do comando amarram-no a uma cadeira e começam a tratá-lo mal. Bastam duas ou três chapadas e uns gritos para que ele indique o lugar onde se encontram as máquinas. As quais reintegram pouco tempo depois o lugar de origem. Não ficamos muito orgulhosos de nos termos envolvido numa tal acção punitiva de tipo policial em ruptura com o espírito do momento. Assim, desabafo com o Charly que estas práticas fazem-me lembrar as dos chefes fascistóides salazaristas, ao que ele, com a sua calma suíça, comenta: «És bem capaz de teres razão…». Tudo isto deixa-nos um estranho gosto de desaire e decidimos afastar-nos destes personagens que ocupavam um certo espaço político em Censier. Bem entendido, o acontecimento insignificante só dizia respeito a uma minoria de indivíduos e continuamos a participar nas actividades dos comités de acção. Era apenas a prova que mesmo num movimento social desta amplitude há que contar com os valores do velho mundo, que avançam por vezes disfarçados.

A partir de então, vamos passar mais tempo com os técnicos e as bailarinas dos Folies Bergère. O que me surpreende nesta pequena colectividade, além de um discurso político relativamente limitado e de um certo imobilismo de acção, é o desejo forte de mudar de vida, o qual exprime também o desejo de mudar o mundo. Mesmo se elas e eles não sabem como o fazer. Um desejo que não é verbalizado, mas que se transmite. Eles não vão à Sorbonne nem a Censier, manifestam-se raramente, mas vivem o momento, sentem-se parte de um movimento. Deixamos-lhes papéis, proclamações e jornais, debatemos. As raparigas são as mais abertas e curiosas, animadas por uma determinação jovial. Fazem pouco caso dos discursos e dos sindicatos sobre as etapas: «Há que ter paciência e avançar pouco a pouco». A paciência política não é coisa que lhes agrade: «É agora ou nunca. Ou conseguimos tudo agora ou então não vamos obter muito.» Bernadette diz que é uma atitude de mulheres, a expressão de uma radicalidade igualitária. Com os meus imberbes 22 anos, acabado de chegar da idade média ibérica, percebo que há algo de importante nestas nuances. Como um tremor de terra que está a mexer nas placas tectónicas por baixo dos nossos pés. Ao mesmo tempo sentimos que o movimento se arrasta, que está entravado, que já não avança. E um movimento social que não avança perde terreno. O movimento, em vez de se alargar, perde fôlego e a normalização impõe-se pouco a pouco. Na rua, e também nas empresas. As eleições aparecem como a armadilha que canaliza as energias e abafa os desejos de um outro mundo. É o realismo que vinga.

Uma bela manhã, os empregados de Jeunesse et Reconstruction regressam. Como, porquê e enviados por quem? Como se nada se tivesse passado durante estas semanas intensas. Limpam as secretárias, arrumam os seus papéis, retiram a faixa que estava em frente da montra, retomam os seus hábitos. São correctos, não nos dizem nada, fazem como se fôssemos os mesmos de antes, encarregados do correio e das compras, da máquina de café. A mensagem é claríssima. Só que não somos os mesmos. E saímos com a intenção de nunca mais regressar. No princípio de Junho, após as eleições que fecharam a festa, volto uma tarde ao teatro das Folies Bergère. O cenário e a atmosfera mudaram. As lanças de incêndio foram arrumadas, as nossas encantadoras camaradas desapareceram, ou melhor, estão de novo só em foto no Hall do teatro, com a plumagem a enfeitar. A velha ordem das coisas foi restaurada e o vigia faz-nos sinal de desaparecer. Não há dúvidas, Maio 68 acabou! Fazemos as mochilas e vamos à vida. Bernadette e Charly voam para o Québec onde, infelizmente, vou perder-lhes o rasto. Entretanto, eu tinha comprado um falso passaporte lusitano e rumo ao Norte, em direcção à Dinamarca, onde me espera a Bodil, uma amiga que eu tinha conhecido em 1967, quando percorri o Sul de França à boleia.
Sabemos que a História não acabou, mas vamos ter que viver de novo o velho tempo, o tempo que só produz passado, o tempo da reprodução capitalista. Sabemos que fomos bem longe, mais longe do que se esperava. Sabemos que virão os tempos dos renunciamentos, dos vira-casacas, o tempo das celebrações e dos antigos combatentes, dos colóquios e dos estudos de especialistas. Que servirão sobretudo para mostrar que Maio 68 acabou, que é só História morta. Para muitos de nós, ao contrário, é História viva que continuará, que fará parte de nós e dos que virão depois de nós. Perdemos este episódio, mas saímos com a cabeça erguida. Penso na frase de Brecht: «Quem luta pode perder, mas aquele que não luta já perdeu». E é bem verdade!

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