Panegírico a Zeca Afonso | Terceira parte

O Canto do Cisne

2 de Agosto de 2017
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Em Portugal, a 25 de Novembro de 1975, a revolução mais importante da história da Europa do pós-guerra foi represada de um modo novo. Contrariamente ao conjecturado a contra-revolução não adoptou o modelo “golpe de estado seguido de ditadura militar”, utilizado dois anos antes no Chile, com milhares de revolucionários confinados em estádios de futebol à espera de fuzilamento (entre eles outro cantautor, Victor Jara, a quem simbolicamente partiram os dedos das mãos antes de ser passado pelas armas). Embora algumas vozes do Conselho da Revolução pedissem insistentemente a prisão de Zeca Afonso e dos três civis que o tinham acompanhado a Tancos, os que realmente dirigiram esta nova forma de atalhar revoluções não as ouviam, por não lhes interessar que fossem feitas quaisquer comparações com o caso chileno, estimuladoras de reacções ao golpe. Nenhum partido foi ilegalizado, o estado de sítio imposto na região militar de Lisboa foi parcialmente levantado cinco dias depois, tantos quantos tinha estado suspensa a publicação dos jornais da capital.

Nos dias seguintes aos acontecimentos seriam presos 160 militares e civis acusados de envolvimento no pseudo-golpe de esquerda, tendo sido encarcerados na cadeia de Custóias e no Forte de Caxias. Com estas prisões, saneamentos e passagem à disponibilidade em massa de soldados e oficiais revolucionários, o movimento popular, até então apoiado no poder de facto destes militares, passava a contar com as suas próprias forças na defesa das conquistas alcançadas durante o PREC, ameaçadas pela recuperação capitalista propiciada pelo êxito do golpe contra-revolucionário.

A solidariedade com os militares e civis presos manifestou-se logo a partir dos dias seguintes ao golpe e viveu momentos marcantes no dia 1 de Janeiro de 1976, junto à Cadeia Civil de Custóias, nos arredores do Porto, quando a GNR abriu fogo sobre uma multidão de dezenas de milhar de manifestantes ali concentrados em solidariedade com os detidos na sequência do 25 de Novembro, provocando a morte a tiro de três manifestantes e ferindo outros sete (um dos quais sucumbiria também no dia seguinte) entre eles uma criança 1. Na noite anterior tinham sido os Comandos da Amadora a reprimir os milhares de manifestantes concentrados em Caxias provocando vários feridos.

Apesar de uma certa desmobilização motivada pelo êxito do golpe contra-revolucionário e pela atmosfera de medo que se foi estendendo na sociedade, levando ao recuo de muitos dos que se tinham envolvido e empenhado nos vários processos de luta, entre Novembro e Fevereiro, foram ainda ocupados quatro latifúndios no Alentejo e seguiram-se centenas de lutas em que os trabalhadores tomaram atitudes e praticaram acções mais radicais do que nos meses anteriores ao golpe de 25 de Novembro de 1975 2. Durante Fevereiro e Março os trabalhadores de centenas de empresas entraram em greve, reivindicando aumentos salariais que compensassem o aumento de 40% dos preços dos bens alimentares verificado no mês de Janeiro. Estas atitudes dão uma ideia da situação política e social que se vivia no país depois de ano e meio de processo revolucionário, indicadoras, também, de que seria dada batalha à recuperação capitalista que inevitavelmente se seguiria.

Na amálgama de interesses internos que formavam o bloco contra-revolucionário, representados no espectro político por um leque de partidos e organizações que ia do PS ao ELP/MDLP, a direcção que se impôs considerava prioritária a substituição da “legitimidade revolucionária” pela “legitimidade eleitoral”. Mas uma outra linha, associada às tentativas de golpe militar de 28 de Setembro de 1974 e de 11 de Março de 1975, nas quais pontificou o General Spínola, insistia na táctica golpista, para o caso de “as coisas não correrem de feição” às forças contra-revolucionárias nas eleições que se avizinhavam, assumindo as funções de braço armado desta aliança de interesses.

Quando se fala de terrorismo em Portugal quase ninguém o associa às centenas de bombas que rebentaram por todo o território, continente e ilhas, colocadas contra objectivos “de esquerda”. Por estranho que possa parecer hoje, os atentados bombistas recrudesceram depois do PREC, só no ano que se seguiu ao golpe de 25 de Novembro de 75, foram colocados 210 engenhos explosivos, realizados 12 atentados a tiro e assaltadas ou incendiadas 14 sedes de partidos e sindicatos, de que resultaram 10 mortos e 26 feridos 3. Os atentados com o selo da “direita” prologaram-se até bem entrado o ano 1977.

Foi um amigo de Zeca Afonso, o jornalista alemão Günter Wallraff, quem deu a conhecer ao mundo pormenores importantes desta conspiração numa extensa reportagem publicada na Alemanha 4, onde se denunciava o bombismo e a sua relação com a preparação de um golpe de estado em Portugal. No início de 1976, Wallraff tinha logrado aproximar-se aos círculos da extrema-direita no Norte do país, sob disfarce de representante de uma instituição ligada à alta finança alemã, encarregado de avaliar a hipótese de fornecer armas e dinheiro às organizações que combatiam o “comunismo” em Portugal. E desempenhou tão bem esse papel que, a 25 de Março, sentava-se finalmente com Spínola à mesa de um restaurante de luxo, em Düsseldorf, para negociar aquele suposto apoio numa conversa de três horas gravadas integralmente de forma clandestina. A reportagem seria publicada 15 dias depois. Esta investigação jornalística, que seria editada desenvolvidamente em livro mais tarde 5, estava recheada de pormenores reveladores da articulação dos vários interesses representados no bloco contra-revolucionário. As declarações e testemunhos de alguns dos protagonistas desse conluio, produzidos muitos anos depois, reconhecendo o essencial dos factos então revelados, vieram contrariar claramente a tese, amplamente veiculada na altura, de que a reportagem fora forjada, e teria como objectivo prejudicar os partidos “democráticos” nas eleições legislativas, convocadas para quinze dias depois da sua publicação, assim como o General Ramalho Eanes, escolhido por estes como o seu candidato às presidenciais de Junho, também referenciado no artigo pelas suas ligações ao ELP/MDLP.

As eleições presidenciais vieram dar oportunidade à mobilização dos sectores populares envolvidos nas formas de organização autónoma nascidas durante o processo revolucionário. A ideia de uma candidatura que pusesse em marcha “uma campanha de unidade do povo trabalhador, de reforço das suas organizações populares de base e de relançamento das lutas” rapidamente ganhou força. A detenção preventiva de Otelo, ordenada por Ramalho Eanes na condição de Chefe do Estado-Maior do Exército, a 19 de Janeiro, facilitou a sua escolha como candidato. Em Maio, já com Otelo em liberdade, representantes de dezenas de órgãos populares de base davam o primeiro passo propondo-lhe a candidatura. Nos dias seguintes passaram a ser centenas, ao mesmo tempo que a generalidade das organizações da chamada esquerda revolucionária manifestavam também publicamente o seu apoio à “candidatura popular”.

Da campanha, na qual Zeca Afonso teve uma participação destacada desde o comício de abertura, em Grândola, recordo um episódio, no qual participei, ilustrativo do ambiente de tensão política que se respirava naqueles dias em Portugal: o atentado a Otelo em Lamego (ver caixa). José Afonso admitiu em várias entrevistas que convivia com o medo, chegando a afirmar: “o medo é uma coisa substancial em mim”, mas confessava também que em geral nunca tinha deixado de fazer alguma coisa por causa do medo, referindo duas excepções vividas durante esta campanha: em Lamego, defendendo a alteração do itinerário da caravana, para evitar a ida a Viseu e, outra vez, nos Açores, quando aconselhou Otelo a não comparecer num comício, face às prévias ameaças dos separatistas.

Na véspera das eleições presidenciais, José Afonso explicava numa longa entrevista 6, as razões que o tinham impulsado a esta participação empenhada no terreno estritamente político: “Não apoio propriamente a figura de Otelo, apoio a relação entre Otelo e o Povo. Alguns aspectos mais interessantes da revolução foram conseguidos com o apoio dos efectivos que Otelo comandava no COPCON: as ocupações de casas, de terras, o impedimento de acções de despejo. Apesar de certas hesitações e até de atitudes incorrectas (…) tudo isso não invalida o que de bom o Otelo fez e é reconhecido pelas massas populares”. Depois de explicar como se dera o seu envolvimento e como se dispusera a colaborar com a candidatura apoiada pelos órgãos de poder de base, aclarava que aquilo que a sua motivação ao acompanhar Otelo na campanha eleitoral, o que lhe daria mais gosto, “seria ajudar a constituir GDUPs [grupos dinamizadores de unidade popular] ou estabelecer ligações entre os diversos grupos a partir do conhecimento que tenho do país, das minhas múltiplas relações e da conduta que sempre me esforcei por ter: ser não sectário. (…) Se neste período se reforçarem as organizações por todo o lado, se esse trabalho for feito com o espírito de unidade e prático, isto é, cada intervenção for consequente, se os diversos grupos forem contactando uns com os outros, e se surgir daí um princípio de coordenação, tenho a certeza de que ficará qualquer coisa de toda esta campanha, mesmo que o Otelo não ganhe. À pergunta se via a possibilidade de Otelo se transformar num elemento catalisador desta movimentação popular, respondia: “sem uma figura popular e unificadora, capaz de fazer estalar as divergências partidárias que impedem que os explorados se unam, também não existirá organização popular”. Depois de referir a “responsabilidade enorme contraída por Otelo” assinalava a necessidade de se constituir uma direcção política com funções de coordenação “que aponte o caminho para soluções eminentemente práticas” e que simultaneamente fosse a “aliança de uma base de luta anti-fascista e anti-imperialista”. Perante o previsível endurecimento do regime resultante da eleição de Eanes e a intensificação dos ataques bombistas, afirmaria na mesma entrevista: (…) A violência reaccionária já existe por todo o lado. Na própria criação de polícias e para-polícias profissionalizadas. Nas próprias Forças Armadas reduzidas à função de reprimir o povo. Quando as contradições se agudizarem, quando os trabalhadores nas suas reivindicações começarem a ser reprimidos pela violência, (…) nessa altura haverá choque, e esse choque terá que assumir formas de violência, de todas as formas e feitios. Temos que estar preparados para esta circunstância (…)Temos que nos preparar para a violência revolucionária (…) É urgente que a consciência de classe das massas trabalhadoras motive a formação de uma organização que corresponda às suas necessidades”.

Como se esperava, os resultados eleitorais foram concludentes: os partidos do bloco contra-revolucionário elegiam 80% dos deputados para a Assembleia da República, em Abril, e Eanes seria eleito presidente com 62% dos votos em Junho. Estava assim alcançada, entre nós, a tal “legitimidade eleitoral” perseguida pela nova estratégia do capitalismo mundial para combater ou evitar processos revolucionários. Os ensinamentos retirados do laboratório em que se converteu a experiência portuguesa seriam imediatamente postos em prática em Espanha, depois, nos anos oitenta, na América latina e nos países do Leste europeu, mais recentemente, já neste século, nas “primaveras árabes”.

No verão de 1976 José Afonso edita aquele que considera o seu melhor álbum: “Com as minhas tamanquinhas7. Em contrapartida, os críticos musicais classificaram-no como o pior disco da música portuguesa desse ano e, segundo declarações do cantautor Vitorino, um radialista, de quem não consegue recordar o nome, partiu o vinil numa emissão em directo. Nesse disco estão refletidas vivências do processo revolucionário, lutas de pequenas comunidades, mostras de solidariedade com povos oprimidos ou com Alípio de Freitas, ex-padre transmontano, fundador das Ligas Camponesas e guerrilheiro no Brasil, onde estava preso e era vítima de severas torturas. Alípio seria libertado quatro anos depois, regressando a Portugal, onde conheceria Zeca Afonso com quem estabeleceria uma relação de amizade profunda e, depois da sua morte, tornar-se-ia o primeiro presidente da AJA. Alípio faleceu em Lisboa no passado mês de Junho.

Numa demonstração óbvia do conluio entre os vencedores das eleições realizadas no segundo trimestre de 1976, os militares golpistas e as redes bombistas, logo em Agosto, Spínola regressava a Portugal após um exílio vivido entre Espanha, Suiça, Brasil e Estados Unidos. Tratava-se também duma experiência, preparatória do regresso em procissão dos grandes senhores da banca, latifundiários, patrões sabotadores, fascistas, pides e legionários, fugidos durante o processo revolucionário. Aquele que fora o chefe militar do golpe reaccionário falhado a 11 de Março de 1975; tendo fugido para Espanha acompanhado por dezasseis oficiais transportados em quatro helicópteros depois de ter ordenado o bombardeamento do RAL 1, de que resultara a morte de um soldado e ferimentos de outros 11 militares; que organizara a partir do país vizinho, com a cumplicidade das autoridades espanholas, o ELP/MDLP, responsável até então por centenas de atentados à bomba; expulso do território suiço no mês de Abril anterior, acusado pelas autoridades locais de “conspiração contra Estado Amigo”; regressava a Portugal, com a cobertura do presidente Ramalho Eanes, eleito um mês e meio antes, e era colocado em liberdade sem cargos, depois de ouvido pelas “autoridades militares” 8.

Quatro dias antes tinham sido detidos vários indivíduos relacionados com a rede bombista, onde se destacava Ramiro Moreira, militante com o cartão nº 7 do PPD, que “deixara a sua marca” em mais de cento e cinquenta atentados, como ele próprio reconheceu. As suas declarações implicam na actividade terrorista vários militares, dirigentes partidários, agentes da polícia judiciária, industriais e personagens destacadas da igreja. Estas informações já estavam na posse da polícia desde Fevereiro de 1976, através das declarações prestadas por José Ribeiro da Silva, um elemento dos CODECO (comandos operacionais de defesa para a civilização ocidental), ligados à FNLA (frente nacional de libertação de Angola) e ao CDS, detido na sequência do assalto à Standard Eléctrica 9.

O julgamento do processo da rede bombista iniciar-se-ia no final do ano seguinte. Apesar da natureza civil dos crimes, decorreria no Tribunal Militar sob grande polémica ao longo de quase oito meses. Da sentença resultou a absolvição da esmagadora maioria dos réus e a condenação de uns poucos com base nas confissões “na parte em que se comprometiam a si próprios”, mas rejeitando-as quando esclareciam quem os mandara e quem lhes fornecera os meios para espalharem o terror. De qualquer modo, os condenados sairiam meses depois em liberdade, com a anulação do julgamento decidida pelo Supremo Tribunal Militar. Os militares contra-revolucionários controlaram todo o processo, desde a fase de investigação até ao julgamento dos autores materiais das actividades bombistas de que tinham sido cúmplices. Ramiro Moreira, apesar de condenado a 21 anos de prisão, viveu tranquilamente em Madrid, onde era funcionário superior da Petrogal, uma empresa pública portuguesa e nunca teve contra si mandatos de captura. No início da década de noventa foi indultado por Mário Soares.

Os 800.000 votos alcançados por Otelo seriam a base em que se apoiaria a iniciativa de organização de um “movimento de unidade popular”, que aproveitava a dinâmica gerada em torno à candidatura, para unir e organizar os trabalhadores na defesa das conquistas alcançadas durante o processo revolucionário, ao mesmo tempo que preparava a defesa contra a possibilidade de golpe fascista, ameaça sempre presente nas conjecturas destes dias. Estes eram os objectivos que supostamente aglutinavam as organizações políticas envolvidas nesta iniciativa unitária, uma amálgama que reunia praticamente todas as organizações da “esquerda revolucionária”, mas com vida curta, como se verificaria poucos meses depois. Zeca Afonso posicionar-se-ia em comunicado público 10 sobre o debate e as práticas na organização nascente, onde critica o papel dos partidos apoiantes do movimento, distinguindo “a UDP e o seu pai ideológico, o PCP(R) pelo sectarismo, dirigismo, oportunismo e, causa ou consequência disso tudo, pelo seu eleitoralismo”, apontando duas situações concretas: “o comportamento frente à mobilização popular desencadeada pela prisão de Otelo”, que tinha sido encarcerado em Caxias a 23 de Outubro, acusado de implicação no “golpe” de 25 de Novembro, e “pela apresentação oportunista e golpista do seu deputado parlamentar, Acácio Barreiros, como candidato à presidência da Câmara de Setúbal”. A tentativa de edificar uma “alternativa de esquerda, progressista e revolucionária para Portugal” ficar-se-ia pelo ensaio. O Congresso dos GDUPs, realizado uma semana depois, tornaria visíveis as divergências estratégicas entre as “vanguardas”, liquidando o MUP (movimento de unidade popular) à nascença.

Com o estouro de qualquer possibilidade de organização unitária a partir dos GDUPs, o PRP inicia a organização de um projecto revolucionário de carácter secreto. Caracterizava-se por estar compartimentado em quatro componentes com funcionamento autónomo: Otelo, como catalisador; uma organização política unitária de massas (que viria a constituir-se num congresso fundador em Abril do ano seguinte na Marinha Grande sob a designação “Organização Unitária de Trabalhadores”, OUT); Quartéis, com o objectivo de organizar os militares revolucionários em duas estruturas separadas: os do quadro permanente, que não tinham sido saneados; e os do quadro não permanente, que cumpriam o serviço militar obrigatório; e uma “estrutura civil armada”, com o objectivo de militarizar os trabalhadores.

Depois de ter passado um ano sem editar obra nova, José Afonso volta em 1978 com o álbum “Enquanto há Força11, em cujo tema que dava nome ao disco se seguem os versos: “no braço que vinga / que venham ventos / virar-nos as quilhas / seremos muitos /seremos alguém”. Uma canção de desafio a que se segue outra de precaução e estímulo: “Tinha uma sala mal iluminada / perguntavas pelo amigo e estava a monte / a fuga era a última cartada / a pide estava ali mesmo de fronte”, que finalizava com claras referências ao momento que se vivia: “a velha história ainda mal começa / agora está voltando ao que era dantes / mas se há um camarada à tua espera / não faltes ao encontro sê constante”.

No início de 1978, agentes da Polícia Judiciária montam uma cilada, em Massarelos, na cidade do Porto, de que resulta a morte a tiro de um agente e ferimentos noutros três 12 e levaria ao desencadear, em Junho do mesmo ano, de uma ofensiva contra o PRP resultando na prisão de dezenas de militantes, entre os quais Carlos Antunes e Isabel do Carmo, fundadores das Brigadas Revolucionárias antes do 25 de Abril e “dirigentes históricos” do partido. A eliminação de um delator, José Plácido, membro da Direcção Estratégica do projecto secreto já referido, em Novembro de 1979, na Marinha Grande, estaria na origem da expulsão daqueles dirigentes e de outros militantes também presos, depois de terem repudiado em comunicado essa acção. Zeca Afonso iria estar na primeira linha da solidariedade com os presos do PRP desde o primeiro momento da sua prisão, até à sua libertação quatro anos depois.

Na sequência da aprovação da lei da Reforma Agrária, da responsabilidade de António Barreto, tinham-se intensificado as entregas de herdades aos antigos proprietários. Estas acções nunca foram pacíficas, mas atingiriam um ponto crítico na herdade do Escoural a 27 de Setembro de 1979. No decorrer dos confrontos a GNR matou a tiro dois trabalhadores rurais, António Casquinha e João Geraldo, “Caravela”, ferindo gravemente outro, Florival Carvalho.

José Afonso editava em 1979 o álbum “Fura Fura” 13 que inclui temas criados para as peças de teatro “Zé do Telhado” da Barraca e “As Guerras de Alecrim e Manjerona pela Comuna Teatro de Pesquisa, com a participação de músicos das novas gerações.

Numa tentativa de reeditar a iniciativa unitária do MUP, experimentada sem êxito a partir dos GDUPs três anos e meio antes, em Janeiro de 1980, Otelo impulsou a criação da FUP (força de unidade popular). Em Março constituia-se como partido, através de um acordo subscrito por representantes da OUT, PRP, MES, PC(ml)P, PC(R), UC, UDP e quatro personalidades independentes. Entretanto, a cisão verificada no PRP no final do ano anterior tinha dado origem a uma transformação no “projecto das quatro componentes”, mudando a sua designação interna para “Projecto Global”. A estrutura civil armada, que até ali não reivindicava as acções armadas levadas a cabo, passava a assumi-las sob a sigla FP-25 de Abril, que viriam a dar-se a conhecer publicamente com lançamento de petardos a 20 de Abril de 1980. As primeiras acções reivindicadas fizeram estalar o consenso, seguindo-se a debandada da maior parte das organizações subscritoras do acordo de constituição da FUP. Otelo candidatar-se-ia nas eleições presidenciais, realizadas em Dezembro, nas quais recolhe pouco mais de dez por cento dos votos conseguidos nas anteriores. Zeca Afonso volta a apoiá-lo empenhadamente. A análise das condições políticas para o salto qualitativo que implicava a prática assumida da luta armada estava influenciada pela existência de dezenas de militantes clandestinos, originados no processo repressivo contra o PRP, e pela situação económica e social dramática que afectava já largas camadas da população, com tendência para agravar-se. Os salários em atraso passaram a ser uma prática consentida pelo poder, foi incrementada a devolução de terras aos latifundiários e de fábricas aos ex-donos que as tinham abandonado, seguiram-se as privatizações de sectores da economia nacionalizados durante o PREC. Em paralelo, este projecto foi intervindo com acções armadas contra esta escalada da recuperação capitalista, ao mesmo tempo que definhava numa agonia que se prolongaria nos sete anos seguintes.

Zeca Afonso revelaria numa entrevista 14, publicada quando já Otelo e dezenas de militantes do Projecto Global / Forças Populares 25 de Abril se encontravam presos acusados de terrorismo, a sua posição sobre a luta armada: “Penso que é um recurso legítimo (…) Não faz a revolução, presta-se mesmo a alguns equívocos, mas tem ao menos a vantagem de radicalizar a indignação e sobretudo de repor pontos de equilíbrio numa relação de forças em que o cidadão comum é permanentemente ludibriado pelos profissionais da política”. E num programa de rádio 15 na mesma época consideraria: “essa violência é, do ponto de vista moral, perfeitamente legítima. Perfeitamente aceitável. Foi o poder que deu origem a que essa violência surgisse

Em 1981, numa decisão que pode ser interpretada como um sinal do refluxo, José Afonso grava um álbum com fados de Coimbra, voltando a cantar os temas que o deram a conhecer. Nele presta homenagem a Edmundo Bettencourt a quem dedica o disco, o único dedicado por si de forma expressa.

Voltei a ter contacto directo com Zeca Afonso no verão de 1982. Ferreira da Costa 16, libertário, detentor do recorde da “frigideira” durante o seu tempo de reclusão no Tarrafal entre 1942 e 1944, otorrinolaringologista de Coimbra, informado por mim do estado de saúde de Zeca Afonso, incumbiu-me de lhe fazer chegar o seu interesse em observá-lo e dar-lhe a sua opinião de “médico não comprometido com o negócio da doença”, como gostava de sublinhar. Através de Natércia Oliveira que, com Ivone Chinita, ambas já falecidas, coordenava os trabalhos da cooperativa cultural Era Nova, concretizou-se o encontro em Lisboa e combinou-se a ida a Coimbra. Ali, no consultório arcaico do velho lutador anti-salazarista, Zeca não ouviu palavras esperançosas. Ao acabar a visita, no seu estilo directo, com os olhos brilhantes de emoção, apoiando as suas mãos nos ombros de Zeca, Ferreira da Costa exprimiu-lhe a grande admiração que tinha por ele e a sua trajectória e aconselhou-o a não se fiar nos “charlatães” que lhe davam falsas esperanças, “tinhas de te ter cuidado antes, agora não há nada a fazer”, concluiria. A ida a Coimbra foi um passo dos muitos que deu no périplo em busca de remédio para a doença que o minava. Zeca Afonso deixaria uma boa parte da sua saúde sobre os palcos, a própria sensação de palco foi para ele uma situação agressiva a que dificilmente se adaptou: “eu estava pouco preparado do ponto de vista biológico, para andar de terra em terra a cantar”.

Na noite de 29 de Janeiro de 1983 realiza-se no Coliseu dos Recreios aquele que pode ser considerado como o primeiro e único “espectáculo” de José Afonso. Já visivelmente afectado pela doença, Zeca interpreta dignamente canções das várias fases do seu percurso de cantautor. Na sala, esgotada muitos dias antes, as emoções provocadas pelas memórias transportadas pelas canções misturavam-se com as que emergem nas despedidas. Do registo do concerto foi editado o duplo álbum “Ao vivo no Coliseu”. Em Novembro tinha iniciado as gravações daquele que seria o último disco em que participava activa e integralmente, “Como se fora seu filho17, que se prolongariam até Abril do ano seguinte. Um disco onde repassam memórias e sonhos, muitos insatisfeitos, a crítica incisiva à realidade do tempo e a presença da utopia.

A proposta de condecoração de José Afonso com a Ordem da Liberdade da iniciativa do Presidente da República Ramalho Eanes, um dos principais artífices do regime construído sobre a derrota do processo revolucionário português, surge numa altura de debilidade física provocada pela doença e num momento de grandes dificuldades económicas, apenas superadas pela solidariedade dos seus amigos portugueses e estrangeiros. As pressões para que a aceitasse foram muitas, mesmo no seu entorno mais próximo, ao ponto de ter chegado a admitir numa entrevista a um programa de rádio 18 que a aceitaria. Depois de referir que gostava de estar arredado daquele tipo de celebrações e de considerar que, antes dele, outros eram mais merecedores daquela distinção, Zeca Afonso acaba por afirmar: “(…) finalmente, depois de aconselhado, de pedir o conselho a várias pessoas, a alguns dos meus ex-companheiros da LUAR e tantos outros, entendi que seria correcto aceitar essa homenagem”. A verdade é que nunca a aceitou, como se pode verificar na lista dos condecorados 19 Anos mais tarde, outro Presidente da República, Mário Soares, mais um artífice do regime, tentou condecorá-lo a título póstumo, intento que lhe saiu gorado pela resposta inequívoca da sua companheira Zélia Afonso: “se não quis ser condecorado em vida, não o será depois da morte”.

Com o álbum “Galinhas do Mato20 José Afonso conclui a sua obra musical no final de 1985. Devido ao debilitamento provocado pela doença, apenas dois dos dez temas originais do disco são por si interpretados: ”Escandinávia Bar” e “Década de Salomé”.

A última iniciativa política a que Zeca Afonso apareceu ligado foi a candidatura às presidenciais de Lurdes Pintassilgo, justificando o seu apoio com a conjuntura vivida “que não aponta para nenhuma acção popular ou revolucionária. Afirmar isto era pura demagogia. Portanto eu apoio uma candidata que dê margem para determinadas movimentações a que eu chamo de contra poder…”. Manteria até ao final da vida o apoio à luta do povo de Timor Leste e à Fretilin.

A notícia da sua morte (já esperada) espalhou-se num ápice por toda a Ala A da Penitenciária de Lisboa, onde se encontravam, isolados da restante população prisional, a maioria dos presos do “caso FUP/FP25”. As mostras de solidariedade de José Afonso com os implicados neste processo judicial tinham sido constantes. Foi das poucas personalidades publicamente conhecidas que sempre defendeu “Amnistia para Otelo e todos os companheiros”, em contraste com muitas que apenas arriscavam “amnistia para Otelo e companheiros da FUP” e com outras que apenas defenderam “amnistia para Otelo”. Quando começou a luta pela amnistia já tinham sido iniciados os contactos entre o Projecto Global/Forças Populares 25 de Abril e o Estado para encontrar uma solução política para o “caso” que constituía o último vestígio do PREC. Os primeiros presos, entre os quais estava Otelo, saíram das prisões um pouco mais de dois anos depois (quando a maior parte já levava cinco anos de prisão preventiva) na sequência de um imbróglio jurídico que marcou o sistema judicial: a anulação do julgamento do “caso FUP/FP25” pelo Tribunal Constitucional. Os últimos presos viram abrir-se-lhes as portas da prisão oito anos depois, encerrando o ciclo histórico 21.

Uma multidão de dezenas de milhar de pessoas acompanhou o féretro, daquele que terá sido porventura o melhor cantautor português de sempre, transportado em ombros pelos amigos, do ginásio da escola secundária até ao cemitério de Setúbal.

Muito ficou por dizer da individualidade extraordinária que foi Zeca Afonso. Resta-me manifestar admiração pela atitude de coragem, frontalidade e coerência com que temperou a sua vida; gratidão pelas palavras e pela música; e reconhecimento pelo exemplo de resistência e de solidariedade, essa qualidade que nos dias de hoje continua a ser a melhor arma dos que resistem.

Revejam e oiçam Zeca Afonso!

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Atentado em Lamego

Do atentado a tiro contra Otelo, no dia 16 de Junho de 1976, pouco se soube. A maioria dos jornais, rádios e televisão deram a notícia sem entrar em pormenores, descrevendo os acontecimentos vagamente com referências a “pedradas e tiros à passagem de Otelo por Lamego”. Mas alguns deles, como o Diário Popular, aprofundavam um pouco mais, apontando a ameaça à vida de Otelo a “grupos de violência organizada”, que teriam contado com a passividade da PSP, “conhecedora da situação existente na praça principal da cidade, porque muito antes da chegada da caravana, já grupos de violentos desordeiros tinham insultado e provocado a equipa que a RTP ali deslocara”.

Zeca Afonso era um dos membros da Comissão Nacional de apoio à candidatura que ladeavam Otelo no banco traseiro do carro à chegada da caravana a Lamego, já não recordo quem era o outro. Ao lado do condutor, viajava o Capitão Belo, responsável pela segurança. Eu integrava a comissão distrital de Viseu de apoio à candidatura e, nessa condição, seguia num dos automóveis caracterizados com o cartaz da campanha, “Otelo, na presidência um amigo”, que tinham ido esperar a caravana, procedente de Trás-os-Montes, à saída da ponte da Régua.

Pouco antes da chegada ao centro de Lamego, onde uma pequena multidão, maioritariamente hostil, nos esperava, uma camioneta embateu na porta traseira do lado esquerdo do carro em que viajava Otelo, danificando-a, obrigando à troca deste veículo por aquele em que seguiam os encarregados da segurança pessoal do candidato. O ambiente era de grande agitação. De um lado da caravana populares gritando: “Otelo!Otelo!Otelo”, do outro, uma maioria provocadora vociferando: “Eanes! Eanes! Eanes!”. Depois de uma breve paragem para se dirigir aos manifestantes, Otelo voltou a entrar no carro e, com enorme dificuldade, o cortejo foi avançando, enquanto apoiantes e antagonistas acompanhavam as viaturas. A oferta de um ramo de flores a Otelo provocou nova paragem, nesta altura começaram a ser atiradas pedras aos automóveis da caravana. De repente ouviram-se tiros. Das janelas do carro em que seguiam os elementos da segurança, no qual tinha viajado Otelo até à chegada a Lamego, saíam braços empunhando pistolas que disparavam para o ar ao mesmo tempo que o veículo arrancava a grande velocidade, logo seguido pelo carro onde ia Otelo e por todos os outros que compunham a caravana. O elemento da segurança que protegia a cabeça de Otelo, sentado na parte de trás do tejadilho do automóvel, dada a mudança brusca de velocidade, não conseguiu manter o equilíbrio e caiu, ficando ali, (tendo sido detido a seguir por agentes da PSP pela posse de arma). A caravana parou logo à saída da cidade. Os elementos da segurança explicaram, então, que quando voltámos a parar para a entrega do ramo de flores a Otelo, uma bala tinha entrado pelo centro do para-brisas do carro em que seguiam. Verificámos depois que havia orifícios de entrada, no encosto do assento traseiro, exactamente no lugar onde Otelo tinha viajado até à chegada a Lamego, e de saída, na parte de trás da mala. Outro orifício de um projéctil de grande calibre era visível a poucos centímetros da tampa do depósito da gasolina na parte lateral do automóvel.

Nos dias anteriores já tinham havido incidentes de menor gravidade em Chaves e Vila Real. O acto seguinte da campanha estava programado para Viseu e o ambiente que grassava na comitiva era de consternação. Os jornalistas que tinham ficado para trás depois do tumulto juntaram-se entretanto à caravana. Dos contactos que tinham estabelecido com as redacções traziam a informação de que em Viseu nos esperavam muitas centenas de pessoas, a maioria exibindo autocolantes de Eanes, num ambiente de grande tensão. Otelo, os membros da comissão nacional presentes e os da distrital de Viseu juntámo-nos em círculo, para avaliar a situação e decidir o que fazer. Nós, os de Viseu, que convivíamos todos os dias neste ambiente reaccionário, exprimimos a opinião de que devíamos ir, Otelo também, Zeca Afonso argumentou que não seria prudente expormo-nos em território hostil noutro confronto de consequências imprevisíveis e acabou por nos convencer que o melhor seria evitar Viseu e seguir directamente para Aveiro.

(Abro um parêntesis para referir outros dos muitos incidentes ilustrativos do ambiente em que decorreu a primeira campanha eleitoral para a Presidência da República depois do derrube da ditadura. Na véspera das eleições, a 27 de Junho, rebentou uma bomba na sede da Associação de Amizade Portugal-URSS, em Lisboa. No dia anterior, outra bomba tinha rebentado no Porto, junto ao Palácio de Cristal, onde decorria o comício de encerramento da campanha de Octávio Pato, o candidato do PCP. A quatro dias das eleições, Pinheiro de Azevedo, tinha sido acometido por um ataque cardíaco, interpretado por alguns como “um atentado contra a vida do candidato22, que o impediria de participar no debate televisivo marcado para esse dia, no qual o Almirante prometia “importantes revelações”. No dia seguinte ao atentado a Otelo, no final do comício de apoio a Ramalho Eanes realizado em Évora, caiu morto João Parreira Lúcio, 39 anos, natural do Redondo e outros 6 alentejanos resultaram feridos por tiros de rajadas de metralhadora disparados por membros da segurança daquele que viria a ser eleito Presidente da República, quando manifestavam o seu repúdio pelo candidato defensor da recuperação capitalista, símbolo do 25 de Novembro e do fim do processo revolucionário em Portugal, que contava com o apoio do PS, da direita e da extrema-direita.)

Não é conhecida nenhuma investigação policial ao atentado a Otelo. Com o passar dos anos foi-se sabendo que um envolvido nas actividades da extrema direita no distrito de Viseu, morto anos depois no Brasil, se jactava de ter participado no atentado e que este tinha sido realizado com carabina dotada de mira telescópica a partir do entorno do santuário de Lamego.

 

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Notes:

  1. (42) Ainda hoje se desconhece o resultado do inquérito a estes acontecimentos.
  2. (43) As greves dos empregados dos transportes colectivos em Coimbra, Porto e Barreiro assumiram a forma de não-cobrança de bilhetes. Na Firestone, os trabalhadores raptaram os patrões anericanos e exigiram o resgate à empresa mãe, para o pagamento de salários em atraso. Phil Mailer, obra citada, p. 205.
  3. (44) Obras consultadas: “Quando Portugal Ardeu” de Miguel de Carvalho, Oficina do Livro, 2017, Lisboa; “Polícias e Ladrões“, de João Paulo Guerra, Ed. Caminho, Lisboa, 1983; O Julgamento da Rede Bombista, de Josué da Silva, Ed. Caminho, 1978, Lisboa; e “Dossier Terrorismo”, Editorial “Avante!”, 1977, Lisboa.
  4. (45) Reportagem publicada na edição de 7 de Abril da revista alemã Stern, 1976, Hamburgo.
  5. (46) Gunter Wallraff, “A Descoberta de uma Conspiração – A Acção Spínola”, Bertrand, 1976, Lisboa.
  6. (47) Entrevista ao jornal “página um”, nº 16, de 26 de Junho de 1976, pp. 9/10. Pode ler-se aqui.
  7. (48) Com produção de José Niza.
  8. (49) Spínola seria promovido a Marechal em 1981 e designado chanceler das Antigas Ordens Militares portuguesas, pelo P.R. Mário Soares em 1987, “pela sua importância no início da consolidação do novo regime democrático”.
  9. (50) “Quando Portugal Ardeu” de Miguel de Carvalho, pp. 297-342 Oficina do Livro, 2017, Lisboa.
  10. (51) Comunicado publicado na íntegra com o título: “Considerando em 4 pontos”, Zeca Afonso, in “página um”, 10 de Novembro de 1976, p. 7., Lisboa. Pode descarregar-se aqui.
  11. (52) Com arrajos e direcção musical de Fauto e José Afonso.
  12. (53) Estes factos nunca chegaram a julgamento, o que adensa a suspeita de provocação policial. Mais informação in:Contributos para a história da luta armada em Portugal”. Pode ler-se aqui.
  13. (54) Com misturas de Jorge Mendes Barata, Júlio Pereira e José Mário Branco e a participação na gravação dos Trovante.
  14. (55) Entrevista a José Amaro Dionísio, in “Expresso”, p. 34-R, de 15 de Junho de 1985, Lisboa.
  15. (56) Entrevista concedida aos jornalistas Carlos Júlio e Carlos Carvalho no programa “Ver, Ouvir e Contar” da RDP1, em Março de 1985.
  16. (57) Ferreira da Costa ao regressar do Tarrafal, em 1944, publicou uma carta aberta ao ministro do interior de Salazar, onde denunciou com pormenores a vida dos presos naquele campo de morte. Pode ler-se aqui.
  17. (58) Com arranjos musicais de Júlio Pereira, José Mário Branco e Fausto.
  18. (59) Entrevista a Manollo Bello, programa “Fim-de-semana”. Pode escutar-se aqui.
  19. (60) Pode consultar-se aqui.
  20. (61) Produzido por José Mário Branco e Júlio Pereira. Participam como intérpretes: Helena Vieira, Né Ladeiras, Luis Represas, Janita Salomé e as suas filhas, Marta e Catarina.
  21. (62) O Estado ver-se-ia na contingência de julgar os crimes de sangue que tinham ficado de fora na amnistia de 1996, aprovada na Assembleia da República quando já nenhum dos implicados estava preso. A sentença desse julgamento, que decorreu com sessões semanais durante um ano, no Tribunal da Boa Hora em Lisboa, foi conhecida em Abril de 2001. A generalidade dos arguidos foi absolvida por falta de provas e, surpreendentemente, os “arrependidos”, “por terem confessado a sua participação nos crimes”, foram condenados a penas que não cumpriram. O Ministério Público não recorreu da sentença.
  22. (63) Comunicado da UDP, in “página um”, nº. 17, p.4, edição de 28 de Junho de 1976. Pode descarregar-se aqui(A UDP era o único partido apoiante de Otelo com representação parlamentar, tinha um deputado).

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3 Comentários
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  1. Eu fui dos que fiz parte da segurança pessoal de Otelo , acompanhei de perto todo este processo , aliás como é dito o Zeca esteve presente e apoiou todo este processo das duas campanhas , quanto a toda a violência praticada contra a campanha de Otelo , faltou aqui relatar outro incidente que se se passou em Castelo Branco , que também ouve provocações , mas que rapidamente resolvemos , tendo o candidato regressado a Lisboa de avião …. fico feliz por finalmente ter havido um companheiro que narra todos os factos com a verdade , que a muitos custa a engolir !!!! Aquele abraço companheiro Fernando ….

  2. […] Terceira parte: O Canto do Cisne […]

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