Concentração de apoio ao Centro Social COSA junta mais de 50 pessoas em Setúbal

28 de Maio de 2017
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Mais de meia centena de pessoas esteve na tarde deste Sábado concentrada no Largo da Misericórdia no centro da cidade de Setúbal num ato público de apoio e solidariedade com a histórica Casa Okupada de Setúbal Autogestionada. A poucos meses de cumprir 17 anos de ocupação, a COSA enfrenta um processo em tribunal que tudo leva a crer que terá como desfecho uma ordem de despejo. Durante o protesto foram lidos comunicados e palavras soltas contra a ameaça de despejo, fazendo uso do microfone aberto montado no local para o efeito. Após duas horas de concentração, o protesto partiu em marcha pela ruas da cidade.

Ocupada no ano 2000 por um grupo de jovens setubalenses, que ali queriam construir um centro social autogerido e uma casa para a juventude, a COSA tem, nos últimos anos, sido o palco de debates, concertos, ateliers, oficinas e festas e foi aí que recentemente foi inaugurado o infospot “O Covil”, um espaço de partilha livre de livros e publicações. Não obstante o facto de ter sido construída por diversas pessoas de diversas afinidades políticas, o projeto sempre se assumiu comoLibertário, tendo participado, de forma organizada, em importantes batalhas da cidade de Setúbal como a luta contra a co-incineração na fábrica de cimento da Secil, o famoso projeto do então ministro do ambiente José Sócrates, ou os protestos de repúdio contra a morte de Toni, um jovem do Bairro da Bela Vista assassinado em 2002 à queima roupa por um agente da PSP. Esta última participação valeu ao espaço uma operação policial em 2003 que, sob o pretexto de uma faixa afixada no exterior do imóvel em que era denunciada a violência policial, esta foi invadida. Anos mais tarde viu ainda o seu jardim auto-construído retirado e destruído pelos serviços da Câmara Municipal de Setúbal. O processo do centro social terá mais uma etapa a 2 de Junho, dia em que está convocado um pequeno-almoço no tribunal de Setúbal pelas 9h da manhã.

Os eventos surgem num momento em que a cidade atravessa um intenso processo de transformação social e laboral motivado pelo desenvolvimento desenfreado da atividade turística e, à imagem de grandes cidades como Lisboa ou Porto, vem acompanhado de uma forte tendência de valorização imobiliária onde não faltam vertiginosos aumentos de rendas. Em 2016 foi anunciada a intenção, por parte do grupo Macau Legend do empresário David Chow, de investir cerca de 250 milhões de euros na construção de um resort de luxo junto à marina de Setúbal. Contudo, centenas de imóveis estão abandonados e a cair no centro de cidade, ao mesmo tempo que muitas habitações continuam sem condições em bairros desfavorecidos. Em resposta a este modelo de desenvolvimento e ao despejo do centro social ocupado fica o slogan gritado hoje nas ruas de Setúbal: “A COSA fica”

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1 Comentário
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  1. R. Amor diz:

    Temos pena .. não consigo ser solidário com quem não me convidou a entrar e me negou água.
    Não ajudam em nada na luta. Não têm aqueles que são explorados pelo sistema (os trabalhadores) do vosso lado. Não têm o apoio das populações. São vocês, vocês e vocês apenas. Assim, tornam-se sectários e inúteis…
    tchau ..

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