Engano ou má memória?

10 de Maio de 2017
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Nota informativa do Terra Viva acerca da entrevista a JCM (José Carlos Marques) da “Campo Aberto”na edição em papel do jornal MAPA de Abril/Junho de 2017 (rebebida por email)

JCM surge a partir dos anos 70 como elemento ativo no movimento ecológico/ambientalista. Na sua entrevista editada no último número do jornal MAPA, contudo, manifesta algumas imprecisões, tanto sobre o passado (e presente…) da nossa associação -Terra Viva! Associação de Ecologia Social – como sobre as movimentações antinucleares em Portugal nos anos 80.

1º- Quando se refere à nossa associação – na altura Terra Viva-Grupo Ecológico- JCM refere que “havia um grupo, o Terra Viva, que tinha uma costela libertária, que em 1984-85 fez um trabalho bom sobre o assunto. Conseguiu evitar os piores aspetos do projecto de Aldeadávila”…
Ora aqui JCM equivoca-se: não foi contra o projeto da central de “recuperação de resíduos nucleares “ de Aldeadávila, em 1987, que a Terra Viva teve um papel mais ativo mas sim, seis anos antes, contra o projeto do estado espanhol de instalar uma central nuclear em SAYAGO, também às portas do Douro. Com efeito, desde inícios de 1981 (ano em que surgimos) desenvolvemos uma campanha contra esse projeto, tendo conseguido agrupar as várias associações e grupos ecologistas e afins, o que culminou com um acampamento-protesto em Miranda do Douro, (“SAYAGO NÃO! O DOURO QUER VIVER!”) com a participação de diversos grupos ecologistas, libertários e alternativos, dos dois lados da fronteira. O que se seguiu durante 2 ou 3 anos depois, foi o alargamento, no Porto, do debate contra a opção nuclear do governo português (PEN -Plano Energético Nacional), passando por um seminário informativo, com o professor Delgado Domingos. Algum tempo depois, a “opção nuclear” era posta de parte pelo governo português (embora hoje, o atual governo enferme de bastante tibieza relativamente a Almaraz e ao governo espanhol, diga-se…).

Em 1987 surge uma nova ameaça do outro lado da fronteira, também às portas do Douro: o estado espanhol pretende instalar em Aldeadávila, uma Central de Armazenamento e Recuperação de resíduos nucleares das suas várias centrais (Almaraz, Vale de Caballeros, Huelva, Cádis, Guadalajara, Murcia, Valencia, Santander, etc…). Com a mobilização quase imediata das várias estruturas populares e anti-nucleares do outro lado da fronteira (“Coordinadora Antinuclear del Bajo Duero”, por exemplo), os protestos culminam com uma mega manifestação no Porto, agrupando além das diferentes estruturas antinucleares do estado espanhol, as diferentes associações e grupos ecologistas portugueses…e também grupos libertários, que se juntaram àquela movimentação – além de alguns partidos. Nesta altura digamos que a Terra Viva não estava de facto tão ativa, tendo alguns elementos seus participado como “Grupo Antinuclear do Porto”. Só cerca de um ano mais tarde recuperaríamos a nossa atividade como associação (tendo inclusive, depois, alterado a designação e os estatutos para Terra Viva! Associação de Ecologia Social, por não nos revermos em algumas das limitações do “ambientalismo” oficial).

2º Ao contrário do que possa ser entendido pelas palavras de JCM (“…Havia um grupo. O Terra Viva,…”), havia e HÁ!
Apesar de já não conseguirmos ter assembleias de associados com 500 e 600 pessoas, como fazíamos nos anos oitenta (lembremos uma, em 1983, em que tivemos de pedir emprestado o espaço da Associação de Moradores da Bouça…) não temos deixado de manter um ritmo razoável de atividades : marchas e passeios pedestres de descoberta, campos de férias juvenis, ações de formação de animadores de ar livre, biblioteca,
treino de sobrevivência, apoio a sem-abrigo e desempregados, atividades diversas de ar livre e aventura, participação em movimentações diversas sociais e ambientais, iniciativas de intervenção social-ambiental (como em Valongo, contra o projeto de uma mini-hidrica no Alto do Castelo, ou contra a poluição do rio Ferreira…pela ETAR de Valongo,…). Para dar uma vista de olhos pelas nossas atividades bastará talvez aceder ao nosso blog: terravivaporto.blogspotcom

Solicitamos pois ao jornal MAPA, cuja divulgação também asseguramos nalguns locais do Porto e em Bragança, que esta nossa nota informativa seja devidamente divulgada.

Com os melhores cumprimentos, pela
TERRA VIVA!/Terra Vivente – Associação de Ecologia Social
MªMadalena Morais e José R.Paiva

Contactos: Morada- Rua dos Caldeireiros, 213 4050 141 PORTO
Telef.223324001 Telem.s 961449268 938896091 Mail- <
terraviva@aeiou.pt > Blog- terravivaporto.blogspot.com

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Entretanto, também por email, recebemos a resposta de José Carlos Marques, que transcrevemos abaixo:

Muito agradeço as observações do José Paiva e colegas.
Como alertei o entrevistador do artigo no jornal Mapa, não confio na minha memória. O que lhe disse foi aquilo que me ficou, com erros e lacunas certamente. Creio tê-lo avisado também (não sei se vem lá pois ainda não vi o número do jornal em que a entrevista foi publicada) que quanto a esse período dos anos 1980, relativamente aos casos do nuclear perto da fronteira espanhola, não me sentia especialmente seguro.
Claro que há ainda hoje o grupo Terra Viva. O “havia” que utilizei é meramente coloquial. Na verdade “havia” e há, não disse que já não há!
Longa vida ao Terra ViVa e à Terra viva.
Em nome pessoal embora, respondo por me ter chegado num email que não é o meu email pessoal.
Cordialmente,
José Carlos Costa Marques

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