Donald “American” Junk e a mentalidade fóssil!

17 de Fevereiro de 2017
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Texto de João Vinagre

No Mapa nr. 15 lançámos um olhar sobre a importação de Gás de Xisto (Fracking Gas) dos EUA para a Europa, com entrada em Portugal, e também sobre a resistência indígena, em Standing Rock, contra a construção do Dakota Acess Pipeline. Entretanto foi a tomada de posse de Donald Trump como presidente dos EUA.

Enquanto todos os olhos estavam a acompanhar a tomada de posse, e alguns em sintonia com os sentimentos dos manifestantes que entraram em confronto com apoiantes de uma “América Grande Outra Vez” e impedidos pela polícia de se chegaram perto do local de tomada de posse, a violência voltou a Standing Rock.

Durante esse fim-de-semana vários movimentos de informação alternativa divulgaram vídeos da carga policial do Departamento do Sheriff de Mounty County e da Guarda Nacional sobre os Water Protectors que estavam a montar um Tipi em Cannoball, North Dakota.

Depois dos dois meses anteriores às eleições terem sido relativamente calmos, os campistas que ocupam o local para impedir a construção do oleoduto foram atacados com gás pimenta e balas de borracha. Não é a primeira vez que se geram conflitos em Blackwater Bridge, área onde tudo se passou, mas tudo estava calmo desde Novembro.

Depois desta atitude, os indígenas, os ativistas e o mundo conhecem a nomeação de Trump para a Agência de Proteção Ambiental: Scott Pruitt, ex Procurador-Geral do Estado de Oklahoma, foi o pesadelo tornado realidade. Pruitt passou grande parte do seu mandato em Oklahoma a lutar contra as leis do departamento que agora vai dirigir. Enquanto Procurador esteve à frente de uma acção judicial interposta por 28 estados norte americanos em defesa da indústria do carvão, contra a agência que agora vai liderar.

Pruitt também é dos que desmentem a interligação entre indústria fóssil e alterações climáticas e defende que não é a civilização a responsável pelo ecocídio mundial.

As primeiras alterações na agência foram a obrigatoriedade de sigilo dos seus funcionários e a obrigação de que todos os estudos científicos passem pela Casa Branca. Ordenou também eliminar todas as referências às alterações climáticas.

Logo depois desta nomeação, Trump (que tem ações no DAPL) assinou ordens executivas para que se reiniciassem os processos dos oleodutos Keystone XL e Dakota Acess Pipeline, que tinham sido anulados devido à pressão popular e a uma política “verde” de Obama. A TransCanada reagiu de imediato: “Apreciamos que o presidente dos EUA nos convide a recomeçar o projecto KXL”.

As comunidades indígenas no Canadá e nos EUA já reagiram, mostrando a sua persistência na defesa do seu território e dos tratados assinados pelos antepassados de todos os intervenientes. Continuaram a “okupar” os terrenos no seu território e entraram com várias ações legais contra a construção do gasoduto…

O novo governo dos EUA não perdeu a oportunidade para mostrar qual vai ser a sua política.

Nos primeiros dias de Fevereiro saíram notícias de uma invasão de propriedade privada para expulsar os “proprietários”, os Water Protectors.

Este foi o relato do jornal Santa Monica Observer:

Parece que a polícia entrou de rompante no acampamento, prendendo os/as lideres e forçando os restantes a abandonar o local. Pegaram fogo ao que ficou para trás.”

Depois de saírem os vídeos do ataque da polícia, foram divulgadas informações que as estradas de acesso a um dos principais acampamentos, Oceti Sakowin, foram cortadas pela polícia.

Em resposta aos últimos meses de repressão, o movimento Stand With Santing Rock lançou um apelo global, que poder consultado aqui: http://standwithstandingrock.net/march/

O apelo global foi o seguimento de um outro lançado pelo concelho tribal da tribo Sioux em Standing Rock.

Nos EUA, e no mundo, várias têm sido as manifestações anti Trump, unidas as lutas contra o sexismo, racismo, capitalismo, islamofobia, de modo a que a política externa e interna dos EUA não se alastre livremente pelo mundo. Este apelo junta a todas elas a resistência ao colonialismo, seja ele económico, cultural, político e corporativo. Não é fraqueza – pelo contrário – ter medo do futuro que vamos deixar. O que se passa em Standing Rock são duas ideias para o futuro. Qual delas te mete medo?

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